Usina pode deixar o MT após aumento do preço do gás

Uma das conseqüências do aumento do preço do gás boliviano anunciado para o Mato Grosso poderá ser a transferência da planta da usina termelétrica Governador Mário Covas, instalada em Cuiabá, para outro país. A hipótese foi levantada pelo presidente da Pantanal Energia, empresa que compra o gás boliviano, Carlos Baldi. A empresa investiu R$ 1,4 bilhão na obra.Segundo Baldi, a exemplo do empresário Eike Batista, dono da EBX, que transferiu os investimentos feitos na Bolívia para o Brasil por conta da crise do gás boliviano, essa seria a última cartada caso a empresa sofra prejuízos por conta do reajuste de 252%. "São hipóteses que poderão ser usadas em último caso, se o canal de negociação se esgotar", disse Baldi.Com capacidade instalada de 480 megawatts, a usina produz 135 megawatts com o fornecimento normal do gás boliviano. A Pantanal energia tem contrato até 2019 com a empresa boliviana Andina para compra de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Esse gás é usado para o consumo interno, através da venda à Furnas Centrais Elétricas. O contrato com Furnas também tem a mesma validade. A termelétrica tem capacidade instalada para atender até 70% do consumo interno da região.Sem acordo, a transferência da usina pode ocorrer, pois a planta é modular, o que permite a desmontagem e deslocamento do equipamento. "Isso é possível, mas é claro que não é simples ou algo trivial que se faça de hoje para amanhã. Por isso nem temos o gasto dessa conta", informou Baldi.O secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia de Mato Grosso, Alexandre Furlan, descartou a possibilidade da usina deixar o Estado. Segundo ele, o reajuste do preço do gás não vai prejudicar atração de novos investimentos para o Estado. "O que resta saber é de que forma esse repasse vai acontecer", disse o secretário. Com o reajuste, a partir de abril, o valor passa dos atuais US$ 1,19 por milhão de BTU (medida térmica britânica do gás natural), para US$ 4,20. A Petrobras paga US$ 4,30 por milhão de BTU.Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), Mauro Mendes, a crise do gás boliviano não vai afastar os investimentos previstos para o Estado.O consumo de gás natural em Mato Grosso é irrisório. São apenas 350 mil metros cúbicos/ mês. No Estado, apenas 3,5 mil veículos tiveram seus motores convertidos para utilizar o combustível boliviano e não há nenhuma indústria que funcione apenas com gás natural. "Não vejo nenhum problema nesse reajuste, pois o preço do gás realmente estava defasado", comentou o presidente da Companhia Mato-grossense de Gás (MT Gás), Helny de Paula.

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