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Usina térmica pára por falta de gás natural no Rio

A usina térmica Norte Fluminense, do grupo estatal francês EDF, deixou de gerar 470 MW médios na quinta-feira, ao longo do dia, e 625 MW no horário de pico (entre 18h e 21h) por falta de gás natural. A informação consta do boletim desta sexta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e indica que até mesmo as usinas que integram o chamado Programa Prioritário de Termelétricas (PPT) estão tendo dificuldades de acesso ao gás natural.O PPT foi lançado pelo governo após o racionamento de energia elétrica em 2001 e as térmicas do programa são as primeiras a serem despachadas (autorizadas a operar) já que têm custos inferiores aos das térmicas movidas a óleo diesel ou óleo combustível. Enquanto o custo do combustível das térmicas a gás está em torno de R$ 100 a R$ 110 por MW/h, os custos das térmicas movidas a óleo estão acima de R$ 500 por MW/h.A questão da disponibilidade de gás natural para as térmicas é uma questão que preocupa cada vez mais o setor elétrico. No início da semana, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que o ONS passe a calcular o custo extra para o sistema elétrico a falta de disponibilidade de gás natural para as térmicas. Esse levantamento deverá ser feito a partir deste mês, mas ainda não há definição sobre quem arcará com os custos extras. "É para que o setor tenha mais transparência", observou um especialista. Atualmente, pelos dados da Aneel, há 20 usinas térmicas movidas a gás natural no Brasil, com potência instalada de 7.600 MW médios. Se todas essas térmicas fossem autorizadas a operar, demandariam cerca de 30 milhões de metros cúbicos de gás, bem acima do total disponibilizado pela Petrobras para o mercado interno, que está em pouco mais de 20 milhões de metros cúbicos diários.Outra pendência em relação ao gás é a conversão das usinas térmicas da Petrobras para bicombustíveis. Na ausência de gás natural, essas usinas operariam utilizando óleo combustível ou óleo diesel. A Agência Estado apurou, porém, que a Petrobras tem relutado em fazer a conversão enquanto não se definir "quem paga" a diferença de geração entre o gás natural e o óleo combustível. A Petrobras fez um "acordo informal" com o Ministério de Minas e Energia (MME), mas sem se comprometer efetivamente com prazos rígidos para implementação da transformação das térmicas. Na prática, apenas a usina de Canoas, no Rio Grande do Sul, está com planos mais avançados. Essa é uma das menores térmicas da Petrobras, com potência instalada de apenas 160 MW.

Agencia Estado,

22 de setembro de 2006 | 19h15

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