Usinas querem que Lula negocie livre mercado com Bush

O setor produtivo de álcool do Brasil pediu nesta quinta-feira, 1º, ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que interceda junto ao presidente norte-americano, George W. Bush, para o fim das barreiras comerciais sobre o etanol brasileiro. Sobre o combustível exportado para os Estados Unidos incidem uma tarifa de US$ 0,54 por galão, ou R$ 0,30 por litro, e imposto de 2,5%."É importante que o presidente possa transmitir ao presidente Bush essa vontade inabalável nossa de abertura. O mercado de petróleo e de derivados é feito em livre comércio e nós não podemos aceitar que o comércio de etanol seja feito nos moldes do século 19, com proteção de mercado como acontece hoje", disse o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho. A Unica representa os usineiros do Centro-Sul do Brasil, onde se concentra 70% da produção de álcool no País.Lula deve se reunir com o presidente George W. Bush no próximo dia 8 em São Paulo e daqui a um mês nos Estados Unidos. A criação de uma aliança do álcool, a chamada "Opep do etanol" será um dos temas principais dos encontros. O Brasil exportou para os Estados Unidos 2 bilhões de litros dos 3,5 bilhões de litros de álcool enviados ao exterior no ano passado. O País produz 18 bilhões de litros do combustível da cana-de-açúcar e perde apenas para os Estados Unidos no ranking, já que aquele país processa um total de 20 bilhões de litros de milho."Somos os únicos produtores de verdade de etanol no mundo, pois temos, entre os dois (países), mais de 70% do mercado", disse Carvalho, que esteve acompanhado no encontro, entre outros, do presidente do Grupo Cosan, Rubens Ometto, e do presidente da Copersucar, Hermelino Ruete de Oliveira.Indagado se o setor sucroalcooleiro iria priorizar o mercado externo de álcool caso as tarifas para os EUA fossem zeradas, Carvalho afirmou que a prioridade do setor é o mercado interno. "Tudo que exportar será o excedente do mercado interno. Nada acontece do dia para noite e temos capacidade de produzir para os mercados que precisarem", afirmou o presidente da Unica que, no entanto, classificou como "ilimitado" o mercado norte-americano para o álcool.Carvalho considerou ainda de pequeno potencial a produção de álcool em países do Caribe por empresas brasileiras, como já ocorre com a Crystalsev, por exemplo. "É muito importante, mas o potencial de produção no Caribe e na América Central é pequeno", afirmou o executivo. "Duas ou três usinas nossas produz ao ano o que produz lá em dez anos", afirmou Carvalho.O presidente da Unica se irritou ao ser indagado se o setor teria conversado com o presidente Lula o aumento de 23% para 25% do álcool anidro à gasolina brasileira. "Eu vim discutir um assunto estratégico e não conjuntural", explicou. No entanto, os usineiros devem voltar a Brasília daqui a duas semanas para pressionarem o governo pelo aumento da mistura, revelou nesta quinta um usineiro à Agência Estado. Além das questões tarifárias, a Unica ouviu do presidente Lula, de acordo com Carvalho, a necessidade de o País investir em pesquisa para o aumento da produtividade da cana-de-açúcar e o posterior crescimento da de álcool. "O presidente disse que é preciso investir em pesquisa de forma decisiva para não perder a liderança que o País tem", concluiu Carvalho.

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