Usineiros garantem oferta de combustível

Para a Unica, aumento do preço vai frear expansão maior do consumo

Gustavo Porto, O Estadao de S.Paulo

20 de novembro de 2007 | 00h00

Ribeirão Preto - A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) descartou ontem a possibilidade de faltar álcool durante a entressafra e garantiu uma oferta 20% superior entre janeiro e abril de 2008, comparada à disponível em igual período deste ano. Nesse período, os usineiros ofertaram 4,45 bilhões de litros para o Centro-Sul, ou seja, esperam que esse volume salte para pelo menos 5,35 bilhões de litros nos quatro primeiros meses do próximo ano. Nas contas da entidade, o aumento de 30% no consumo médio do combustível durante a atual safra - de 1 bilhão de litros para 1,3 bilhão de litros por mês - será freado pelos reajustes. "Não existe a possibilidade de faltar álcool", afirmou o diretor-técnico da Unica, Antonio Rodrigues. Ele afirma que em 97% do mercado brasileiro, o álcool foi mais vantajoso do que a gasolina durante a safra. O ponto de equilíbrio teria de ser em 70%", disse o executivo. O reajuste acumulado médio de 25% nas últimas três semanas nas usinas, já repassado aos consumidores, deve tornar a gasolina vantajosa para carros flex em Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. "Onde os impostos altos e os custos logísticos tornam o produto pouco competitivo." Pelos cálculos, o álcool tem vantagem até chegar a 70% do valor da gasolina. Rodrigues avalia que em São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul o preço será competitivo durante a entressafra. Os Estados estão entre os maiores produtores do País e têm as mais baixas alíquotas de ICMS sobre o álcool hidratado, usado em carros flex. Com o último aumento, o litro do hidratado chegou a R$ 0,71698 nas usinas paulistas. O anidro foi negociado, em média, por R$ 0,84467. De acordo ele, o litro deveria custar pelo menos R$ 0,85 na safra para garantir remuneração a quem produz. "Como em 70% da produção o álcool foi vendido por R$ 0,58, não haverá remuneração média acima do custo, mesmo com os recentes aumentos."

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