Usineiros temem intervenção e querem agora "discutir"

A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) informou nesta terça-feira que acredita na "racionalidade do governo" e que está aberta a "discutir o que for necessário para que haja uma regulamentação no setor alcooleiro", sem que haja a necessidade de intervenção.Na terça-feira, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Nelson Hubner, confirmou que o governo estuda medidas para ampliar o controle no setor, como transformar o álcool de produto agrícola em combustível, e dar maior poder de intervenção à ANP.De acordo com a Unica, o assunto deve ser discutido "fora da dor de barriga" numa referência à atual crise de alta nos preços e ameaça de desabastecimento. A Unica informou que acredita ainda ser necessária uma discussão da questão estrutural do setor alcooleiro em virtude de um crescimento de oferta e demanda pelo combustível, mas de forma racional e não emocional. Controle desnecessárioO diretor da Sociedade Comercializadora de Álcool (SCA) Jacyr Costa Filho, considerou "uma atitude desnecessária" qualquer tipo de controle do governo no mercado de álcool. "O próprio mercado encontra o equilíbrio e o poder de pressão vem do consumidor, não do governo".De acordo com o executivo, qualquer ação que o governo possa tomar que seja encarada como uma intervenção no setor "pode causar prejuízo em um trabalho feito desde 1999", justamente após o final do controle estatal no setor sucroalcooleiro.Segundo ele, "o trabalho" citado foram as conquistas do mercado interno e externo de álcool e o avanço na busca de novos mercados no exterior para o açúcar. "O que ocorreu foi que, em 2005, todos os fatores contribuíram para que houvesse um aumento na demanda nesses três mercados", disse. "Houve um aumento no consumo interno de álcool, com os flex fuel, a vitória do açúcar na OMC e as exportações firmes de álcool", completou. EstabilidadeCosta Filho afirmou que os preços do álcool praticados nas usinas do Centro-Sul caminham para a estabilidade a partir dessa semana.De acordo com a entidade que comercializa o álcool de 34 unidades produtoras do Centro-Sul do Brasil, os negócios feitos nesta semana estão praticamente no mesmo valor apontado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq) na última sexta-feira, ou seja, R$ 1,176 para o litro do anidro e R$ 1,200 para o do hidratado."As distribuidoras pararam de fazer compras especulativas para poderem conseguir um preço médio melhor pelo produto e passaram a comprar em menor quantidade, o que estabilizou o preço", explicou Costa Filho.

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