Usineiros terão que reduzir preço do álcool

Na reunião que terão amanhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, os produtores de álcool deverão reafirmar um compromisso de manutenção de preços feito em 15 janeiro com o governo, mas que vem sendo descumprido por alguns usineiros. Isso significa que eles terão de recuar na decisão de elevar os preços do álcool na produção, como ocorreu nos últimos dias. "Alguns produtores exageraram nos aumentos, mas terão de cumprir o que prometeram", diz o proprietário da usina Santa Eliza, Maurílio Biaggi.O ministro Rodrigues disse que foi feito um acordo no sentido de que o preço do álcool jamais ultrapassasse 60% do valor da gasolina, e isso não está sendo seguido. Em São Paulo, por exemplo, essa relação é de 61%; no Rio, de 66%; e em Minas Gerais, 68%, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Ele acrescentou que, antes de qualquer ato de força para exigir que os usineiros cumpram o acordo firmado com o governo, ele tentará convencer os produtores: "A maioria do setor já está convencida da necessidade de cumprir o acordo. A expectativa é de que as coisas aconteçam tranqüilamente, em benefício de toda a sociedade."Mas os produtores deverão levantar uma outra proposta, apresentada em janeiro pelo governo: manter o preço do álcool hidratado, usado como combustível, abaixo de R$ 0,90 o litro, e do anidro (misturado na gasolina), abaixo de R$ 1. Na paridade com o preço da gasolina, justificam alguns usineiros, não há como controlar o preço cobrado pelos distribuidores e postos. Biaggi diz, no entanto, que os sindicatos e associações terão de fiscalizar seus associados. "Não é possível que 30% dos produtores prejudiquem o restante", afirma.O presidente do Sindicato da Indústria da Fabricação do Açúcar e do Álcool do Estado do Mato Grosso do Sul, José Pessoa Queiroz Bisneto, reconhece que o preço do combustível subiu, mas afirma que os postos também contribuem para o aumento maior.

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