Uso da capacidade instalada da indústria vai a 82,8% e bate recorde

Resultado veio acompanhado do crescimento de horas trabalhadas (6,3%) e das vendas (8,2%) ante 2006

Renata Veríssimo, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

O forte ritmo da atividade industrial fez com que a utilização da capacidade instalada do parque fabril brasileiro atingisse 82,8% em outubro, maior nível registrado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) pelo menos desde 2003. A CNI mede o indicador desde 1992, mas os dados anteriores a 2003 seguiam metodologia diferente e, por isso, não são comparáveis aos atuais.O maior uso da capacidade da indústria veio acompanhado do crescimento das horas trabalhadas e das vendas. O número de horas trabalhadas na produção aumentou 0,8% em relação a setembro e 6,3% em comparação com outubro de 2006. O faturamento teve alta de 0,3% e 8,2%, nas mesmas bases de comparação. Os números surpreenderam e aumentaram a expectativa da CNI, que espera que o quarto trimestre seja o melhor deste ano para a indústria."O mês de outubro é o pico da produção industrial, mas, em 2007, está muito acima de outubro de 2006, o que é explicado pela demanda interna muito favorável. Vemos a possibilidade de um resultado, no quarto trimestre, melhor do que no segundo e no terceiro", disse o economista da CNI Paulo Mol. Ele avalia também que o próximo ano começará forte, na esteira da aceleração deste fim de 2007. " 2008 já vai começar embalado. A atividade industrial vai começar com índices de variação bastante positivos." O aumento do uso da capacidade produtiva alerta para a necessidade de novos investimentos para atender a demanda. Embora acenda a luz amarela, Mol afirmou que o maior uso do parque industrial não teve até agora nenhum potencial inflacionário, já que não houve alteração nos preços industriais medidos pelo Índice de Preços por Atacado (IPA). Ele destacou ainda que o setor tem feito investimentos fortes e disse acreditar que não existe ambiente propício para remarcação de preços, já que os produtos nacionais concorrem com os importados, que estão mais baratos por causa da valorização do real. A dúvida sobre a capacidade da indústria de atender ao aumento do consumo foi um dos fatores que levaram o Banco Central a interromper em outubro a trajetória de queda dos juros. Mol não quis fazer projeção sobre o resultado da reunião de hoje do Conselho de Política Monetária (Copom), mas afirmou que o alto índice de utilização da capacidade instalada deve estimular os investimentos, já que há uma expectativa de que o consumo continue crescendo. Segundo Mol, os fatores que impulsionam o aumento da demanda são a elevação dos gastos públicos, principalmente por meio do reajuste dos benefícios sociais do governo, que geram mais consumo, e a expansão do crédito, que beneficia principalmente a compra de bens de consumo duráveis e bens de capital. Os setores de máquinas e equipamentos, automobilístico e de alimentos e bebidas foram os que mais aumentaram as vendas neste ano. O economista disse que o resultado das vendas em outubro surpreendeu. "Não esperava que fossem tão altas, por causa da valorização do dólar, que foi de 5,2% em relação a setembro." As vendas industriais indicam o faturamento das empresas, que tem sido prejudicado pela valorização do real. Mol disse que o crescimento das vendas indica que o faturamento da indústria em 2007 poderá ficar próximo do verificado em 2004, de 5,4%, o melhor da série histórica. Até outubro, elas acumulam alta de 4,9%. A expansão da atividade industrial em outubro veio acompanhada também do aumento do emprego e da massa salarial. De janeiro a outubro, os postos de trabalho na indústria cresceram 3,7% ante o mesmo período de 2006. As remunerações pagas aumentaram 5% no ano. Mol destacou que a massa salarial tem crescido mais pelas novas contratações do que por aumento de salário. Segundo ele, o ganho real dos salários na indústria tem sido de 1,3% ante 2006, enquanto o emprego tem aumentado em torno de 4%. FRASESPaulo MolEconomista da CNI"O mês de outubro é o pico da produção industrial. Mas, em 2007, está muito acima de outubro de 2006""O ano de 2008 já vai começar embalado""Não esperava que fossem tão altas (as vendas em outubro), por causa da valorização do dólar, que foi de 5,2% em relação a setembro"

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