Uso de cartão de débito deve crescer com novo SPB

As transações com cartões de débito, que cresceram acentuadamente nos últimos dois anos, devem expandir-se mais rapidamente no segundo semestre deste ano, com a entrada de novas emissoras e bancos no mercado de cartão de débito pré-datado e com a criação do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). A idéia é que o cartão de débito pré-datado ocupe o lugar do cheque pré-datado na venda de produtos de maior valor e funcione como uma alternativa a mais de crediário de curto prazo. A Tecban, que administra o Cheque Eletrônico, entrou no segmento de débito parcelado em setembro do ano passado, em parceria com 40 bancos. A empresa já trabalhava com um tipo de cartão de débito, pré-datado para uma única data, a critério do lojista. Com a adoção do cartão de débito parcelado, foi possível dividir o pagamento da compra em até 120 dias. "Em janeiro tivemos 450 mil transações apenas com os cartões pré-datados e parcelados. A expectativa é dobrar este número em um ano", diz o diretor de Negócios da Tecban, Rogério Proença. Os pagamentos feitos com cartões pré-datados e parcelados representaram 6% do total de 113 milhões de transações efetuadas com cartões de débito em 2001.PotencialA partir de junho, a Visanet e a Mastercard começam a disputar esse mercado. "O potencial de crescimento do cartão de débito é muito grande, principalmente com a criação do novo Sistema de Pagamentos Brasileiro", diz o diretor de Produtos de Débito da Mastercard, Paulo Frossard. Ele lembra que os estabelecimentos comerciais terão de liquidar, em tempo real, transações acima de R$ 5 mil, e que esta mudança vai obrigá-los a um controle muito maior do fluxo de dinheiro em caixa. "Para evitar um descasamento entre o que paga ao fornecedor e o que recebe do cliente, o lojista deverá utilizar menos cheques, que demoram mais para serem compensados e às vezes não têm fundos", diz. O cartão de débito, neste caso, explica, seria a garantia do dinheiro em caixa num prazo menor. O SPB, a crescente utilização do cartão de débito por parte do consumidor e a oferta de crédito pré-datado no cartão devem elevar em 53% as transações com cartões Visa Electron, na expectativa do diretor-executivo da Visanet, Walter Rabello. Segundo levantamento da empresa, o potencial de crescimento do mercado para débito parcelado é muito grande, porque, entre os 220 milhões de cheques compensados todo mês, boa parte é de pré-datados. Há estimativas, observa o diretor de negócios da Tecban, de que os meios eletrônicos de pagamento (débito e crédito) alcancem 50% no varejo até 2005. Hoje, de acordo com ele, os dois tipos de plástico representam cerca de 19% dos meios de pagamento. De acordo com dados do estudo Mercado de Meios de Pagamento, da Credicard, o número de transações com cartões de débito passou de 56 milhões em 1997 para 371 milhões em 2001. A Mastercard prevê que o parcelamento do débito deve acrescentar um aumento de 10% a 15% ao ritmo de crescimento do seu cartão Maestro. No ano passado, as transações com o cartão da empresa cresceram 70% e chegaram a 7 milhões no País. "Um dado claro da ampliação da utilização do produto é o tíquete médio do cartão que caiu de R$ 42 em 2000 para R$ 35 em 2001, indicando que ele vem sendo usado também em pagamentos de menor valor, como em padarias e estacionamentos", diz Frossard. As empresas de cartões observam em pesquisas com consumidores que há ainda uma resistência cultural ao uso contínuo do cartão de débito. "É uma questão de hábito que tende a mudar com o tempo", diz o diretor da Visanet, que prepara este ano um campanha forte de publicidade para divulgar o cartão de débito. Ele lembra que o débito foi inicialmente lançado como cartão de garantia de cheque dos bancos, em um segundo momento ganhou uma tarja magnética para ser utilizado para saques em caixas eletrônicos e dentro do banco e, por fim, começou a ser utilizado para o pagamento de compras. "Ao contrário do cartão de crédito, que nasceu com um conceito muito claro e conhecido, o cartão de débito passou por várias transformações que estão sendo assimiladas pelas pessoas", diz.

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