Chandan Khanna / AFP
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Uso de energia solar no Brasil tem aumento de 14,4% no 1º trimestre

Somente no segmento que inclui o consumidor residencial, crescimento foi de 21,5%; resultado ainda não reflete o impacto do coronavírus no setor

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 10h38

A fonte solar fotovoltaica atingiu, ao fim do primeiro trimestre deste ano, a marca de 5.114 gigawatts (GW) de capacidade instalada no País, um aumento de 14,4% frente aos 4.470 GW do fim de 2019.

Deste total, 55%, ou 2.687 GW, referem-se a usinas de grande porte, conhecidas no setor como "geração centralizada", e os demais 2.427 GW referem-se aos mais de 208,3 mil sistemas de mini ou micro geração, ou "geração distribuída".

Os números mostram a expansão do setor ainda sem impactos da pandemia do novo coronavírus e fazem parte de um levantamento feito pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) obtidos com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

A entidade destaca que, considerando apenas as usinas de grande porte, a fonte solar representa 1,5% da matriz elétrica brasileira, à frente da nuclear, com 1,1%, mas ainda inferior ao carvão (2%), e a outras fontes renováveis com maior presença no País, como biomassa (8,3%), eólica (8,5%) ou hídrica (60%).

De acordo com o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, a expansão observada nos três primeiros meses deste ano está em linha com o que o setor projetava, de manutenção da forte trajetória de crescimento, principalmente na geração distribuída, mas também na centralizada.

Desde 2019, observa-se uma explosão no número de novas instalações de sistemas de micro e minigeração, impulsionada pelos aumentos nas tarifas da energia nas distribuidoras e pela ampliação das linhas de financiamento para esse tipo de projeto. Somente nos primeiros três meses deste ano a alta foi de 21,5%.

Preocupação com o coronavírus

O aumento das usinas de grande porte foi mais tímido, de 8,6%, fruto da lacuna na realização de leilões em 2016, mas que já começava a ser superada com a entrega de obras de usinas contratadas posteriormente e que aceleraram o cronograma.

"Mas isso foi antes da covid, agora o mundo virou de cabeça para baixo, tudo mudou", disse Sauaia. A entidade ainda está refazendo os cálculos sobre a expectativa de expansão da capacidade solar fotovoltaica para este ano. Inicialmente, a Absolar projetava que a fonte dobraria sua capacidade ao longo de 12 meses, para alcançar 8,5 GW ao fim de 2020, o que exigiria investimentos de quase R$ 20 bilhões.

O dirigente comentou que, no atual momento de crise, o foco do setor está na garantia da continuidade das obras de novas usinas e sistemas. Segundo ele, a geração centralizada chegou a ser prejudicada por medidas municipais de isolamento social determinadas em algumas localidades, que afetaram até mesmo a operação das usinas já operacionais.

A geração distribuída tem sido afetada pelo foco atual das distribuídas nas atividades essenciais, deixando de lado algumas operações, inclusive as relacionadas à instalação de novos sistemas.

"Em algumas regiões, temos visto que novos pedidos de protocolo não estão sendo realizados e isso nos preocupa bastante, estamos pedindo esclarecimento da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre isso: como fica a geração distribuída durante a pandemia, porque não veio diretriz clara sobre isso e o mercado está com insegurança sobre isso", comentou Sauaia.

A Absolar tem feito um levantamento e já recebeu indicações de ao menos 10 distribuidoras, em diferentes regiões do País e de diferentes grupos econômicos, que não estão avançando nos procedimentos relacionados à instalação de mini ou microusinas.

Sauaia afirmou que, diante disso, e também da redução significativa do número de novos pedidos a partir da chegada do novo coronavírus no País, existem várias empresas no segmento de geração distribuída em situação preocupante, dado que muitas são empresas pequenas, familiares, ou em fase de investimentos.

Ainda assim, a expectativa do executivo é de que, passado o momento atual de forte impacto provocado pela pandemia, haverá uma demanda reprimida a ser atendida. "Quando a situação mais crítica for ultrapassada, haverá um aumento importante no volume de pedidos, não exatamente no mesmo patamar, como se a demanda estivesse postergada, mas de uma parcela", disse.

Ele avalia que o interesse dos consumidores por geração distribuída continuará mesmo em meio à prevista recessão e pode até crescer, tendo em vista o esperado aumento das contas de luz, em decorrência dos custos do apoio financeiro que vem sendo discutido às distribuidoras e que deve ser, ao menos parcialmente, repassado para as tarifas.

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