SERGIO CASTRO | ESTADÃO CONTEÚDO
SERGIO CASTRO | ESTADÃO CONTEÚDO

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Uso de informações de redes sociais para investir em ações esconde perigos

Usuários compartilham informações de veracidade duvidosa para tentar mexer com o valor dos papéis; CVM começa a fiscalizar perfis

Fernanda Guimarães, Malena Oliveira e Lígia Morais, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2016 | 08h10

SÃO PAULO - As redes sociais impulsionaram a propagação de informações sobre o mercado financeiro e muitos investidores, em especial pessoas físicas, utilizam esse suporte para tentar potencializar ganhos. Ao mesmo tempo, contudo, há operadores utilizando a rede de forma duvidosa, compartilhando notícias sem procedência para influenciar o desempenho de ações na Bolsa.

A troca de informações nessas plataformas já chamou a atenção do regulador do mercado de capitais. O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira, afirma que as mídias sociais vêm sendo fiscalizadas, mas admite que o desafio é grande dada a amplitude da rede. O executivo explica que o regulador precisa avaliar qual o tipo de interação de determinado perfil, uma vez que o compartilhamento de notícias já públicas ou a simples troca de ideias não chegam a ser prejudiciais.

É preciso vasculhar a credibilidade do perfil em rede social antes de seguir os conselhos. Uma das formas é exatamente verificar na CVM se existe qualquer processo em aberto contra o dono de determinado perfil. Outra dica é passar um pente-fino no histórico de publicações do perfil em questão. Para confiar plenamente, só as páginas oficiais das empresas, destaca o coordenador do Mestrado em Administração da FGV, Marcelo Coutinho.

Ceticismo. O publicitário Alexandre Peregrino, que investe em ações desde 2001, usa o ceticismo como arma. “Se alguém conseguisse prever os preços das ações, usaria a informação a seu favor e não divulgaria na internet”, diz. Ele não acredita ser possível influenciar cotações por meio das redes sociais e argumenta que quem faz uma postagem não tem a garantia de que ela terá o efeito desejado.

Há menos tempo em contato com o mercado de ações, o advogado André Soutelino buscou, no início do ano, respaldo em cursos específicos para aprender a operar.

Já o estudante Wellington Nakayama investe em ações há sete anos e checa as informações que recebe nesses grupos. “Algumas pessoas têm conhecimento, mas muita coisa é ‘achismo’”, alerta.

Há situações em que perfis dizem apostar na alta de alguma ação e afirmam que “uma notícia bombástica sairá dentro dos próximos dias”. O efeito é simples: a pessoa propaga a informação para que o papel valorize e, em seguida, vende seu lote de ações a um preço maior do que comprou.

Coutinho, da FGV, explica que as redes sociais digitalizaram os boatos e aumentaram a velocidade de troca de informações, que sempre existiram no mercado acionário.

 

Tudo o que sabemos sobre:
BolsaCVMCoutinhoFGV

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.