MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS
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UTC avalia venda da Linha 6 do metrô de SP

Alvo da Operação Lava Jato, construtora enfrenta problemas de caixa e também pode vender fatia no Aeroporto de Viracopos e poços de petróleo

André Borges, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2015 | 05h00

BRASÍLIA - O drama financeiro que afeta a construtora UTC, um dos principais alvos da Operação Lava Jato, levou a empresa a analisar a venda de seus principais ativos, para quitar dívidas e tentar manter as operações de pé.

O Estado apurou que o grupo do empresário Ricardo Pessoa, apontado pelas investigações da Polícia Federal como o “chefe” do cartel no esquema de desvios na Petrobrás, avalia a possibilidade de vender sua participação na concessionária Move São Paulo, responsável pela construção, compra de equipamentos e operação da Linha 6 - Laranja do Metrô de São Paulo.

A UTC Engenharia é dona de 13,1% da concessionária, em sociedade com a Eco Realty Fundo de Investimento e Participações (47,7%), Odebrecht Transport (19,6%) e Queiroz Galvão (19,6%). O valor total do empreendimento é estimado em R$ 9,6 bilhões, sendo dividido meio a meio entre o governo paulista e a concessionária.

A empresa também estuda pôr à venda os poços de petróleo que a UTC Óleo e Gás detém em terra, no Rio Grande do Norte. Criada em 2009, essa divisão do grupo UTC é responsável pela exploração e produção de petróleo em poços na região de Mossoró, numa área de 10 mil metros. Os poços estão em operação e, atualmente, produzem cerca de 1 mil litros de petróleo por dia.

A terceira possibilidade em análise é vender a fatia que a empresa detém na concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, dona de 51% da concessão do aeroporto de Campinas (SP), em parceria com a estatal Infraero (49%). Dentro do consórcio, a UTC Participações é dona de uma fatia de 45%, ao lado da Triunfo Participações (45%) e da operadora francesa Egis Airport (10%). As obras assumidas pelo consórcio em contrato estão atrasadas.

Segundo uma fonte, o desejo da diretoria da empresa é o de manter todos os seus ativos, mas a atual situação financeira vivida pela UTC não deixou outra alternativa, senão se desfazer de algumas operações.

Até o ano passado, a UTC tinha cerca de 30 mil funcionários, contingente que já foi cortado pela metade e que poderá ser reduzido para até 10 mil pessoas nos próximos meses. Do ano passado até agora, a Constran, uma das principais empresas do grupo, viu seu quadro de pessoal cair de 12 mil para 4 mil colaboradores.

Engevix. No início do mês, foi a vez de a construtora Engevix assinar um acordo de entendimentos com a empresa argentina Corporación América para vender sua participação nos aeroportos de Natal e Brasília, na tentativa de resolver uma dívida de R$ 1,5 bilhão. Os argentinos, que já eram sócios dos aeroportos, passarão a deter 100% da concessão de Natal e 51% da de Brasília. Os outros 49% pertencem à Infraero.

As concessões dos dois aeroportos foram arrematadas nos leilões feitos pelo governo há três anos. O investimento nas duas obras é de cerca de R$ 3 bilhões e a concessão deve durar mais de 25 anos. Ambos estão em operação sob o controle da Inframérica, que tem como sócios a Infravix, da Engevix, e a Corporación América. Investigada na Lava Jato, a Engevix já vendeu sua participação na Desenvix, empresa de energia que detinha participações em eólicas, para seu sócio norueguês.

Delação premiada. Para a UTC, não são apenas os ativos que precisam ter o destino definido. Resta ainda saber quais serão os resultados do acordo de delação premiada assinado pelo dono da companhia, Ricardo Pessoa.

Denunciado criminalmente no fim de 2014, Pessoa estava na cadeia desde o dia 14 de novembro do ano passado. Nesta semana, passou para prisão domiciliar em São Paulo, após concordar em dizer à Procuradoria-Geral da República tudo o que sabe sobre o esquema de corrupção erguido dentro da Petrobrás por um cartel de construtoras.

Considerado chefe do “clube vip” das empreiteiras, Pessoa já mencionou que teria feito repasses ao então ministro de Minas e Energia Edison Lobão para liberar obras feitas por sua empresa na usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro. Lobão negou as acusações.

As complicações financeiras vividas por sua empresa também comprometem diretamente o ritmo de obras federais, como as ferrovias administradas pela estatal Valec. A Constran, que atua em lote da Ferrovia Norte-Sul, tem reduzido drasticamente o ritmo de seus trabalhos no trecho que liga a estrada de ferro entre os municípios de Ouro Verde (GO) e Estrela D'Oeste (SP). 

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