Utilização da capacidade da indústria atingiu pico em novembro

De acordo com a CNI, essa alta atividade no setor industrial não deverá se repetir até fevereiro deste ano

FÁBIO GRANER, Agencia Estado

15 de janeiro de 2008 | 13h52

A indústria atingiu seu pico da capacidade instalada no final de 2007, de acordo com os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgados nesta terça-feira, 15. A capacidade instalada representa o volume máximo de produção que a indústria consegue atingir, durante um certo período de tempo, tendo em conta os equipamentos e instalações que tem disponíveis. Mas, segundo o economista-chefe da CNI, Flávio Castello Branco, essa alta atividade no setor industrial não deverá se repetir até fevereiro deste ano, quando normalmente se observa uma desaceleração da produção.A retomada da produção em nível mais acelerado, segundo ele, acontecerá a partir de março. Mas ele acredita que, nesse momento, parte dos investimentos que a indústria vem fazendo em capacidade produtiva estará madura, o que significará uma capacidade de produção maior. Diante desse quadro, o economista acredita que o crescimento da produção a partir de março não deve provocar grandes pressões inflacionárias. "Não vejo pressão na capacidade da indústria em atender à demanda. A indústria está preparada para atender a demanda", disse Castello Branco.O economista Paulo Mol, da CNI, destacou que em novembro de 2007 a utilização da capacidade instalada, pelo critério sem ajuste sazonal, caiu fazendo um movimento natural na série histórica. Ele lembrou que, no ano passado, essa queda na comparação com outubro não ocorreu. Isso mostra, segundo ele, que o crescimento intenso da utilização da capacidade instalada, que ocorria em 2006, não foi observado na mesma intensidade durante o ano passado. PrevisãoPaulo Mol avaliou que a indústria brasileira deve encerrar o ano de 2007 com um crescimento na casa de 5%, próximo da taxa acumulada até novembro (5,1% em relação ao período de janeiro a novembro de 2006). Para 2008, ele estimou que as vendas iniciarão em um nível bastante forte, já que só o efeito carregamento projeta uma alta de 3,7% para as vendas do setor no ano. Em relação ao resultado acumulado de janeiro e novembro de 2007, o crescimento das vendas teve maior concentração nos setores de máquinas e equipamentos, alimentos e bebidas e veículos automotores, mas teve variação positiva na maioria dos setores pesquisados. "A trajetória das vendas na indústria está bastante satisfatória", disse Mol. Segundo ele, o crescimento pelo quinto mês consecutivo das vendas da indústria em novembro, mesmo em um ambiente de valorização cambial, mostra uma situação extremamente positiva, no setor industrial. Ele afirmou que este desempenho das vendas reflete o aquecimento do mercado interno, que tem sido "o motor do crescimento da indústria".

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