Carla Carniel/Reuters
Carla Carniel/Reuters

‘Vaca magra’ é instalada em frente à Bolsa de Valores de SP

Escultura faz parte de intervenção urbana feita pela artista Márcia Pinheiro, para chamar atenção para a fome no País; vaca, já retirada, foi colocada no mesmo lugar onde antes esteve o 'touro de ouro' 

Redação , O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2021 | 14h01

Uma escultura que retrata uma vaca magra, pintada de amarelo, foi instalada na manhã desta quinta-feira, 9, em frente à B3, a Bolsa de Valores brasileira, no centro de São Paulo. A peça foi colocada no mesmo lugar onde esteve o "touro de ouro", estátua que provocou protestos de movimentos sociais. 

A escultura da vaca magra faz parte de uma intervenção urbana realizada desde 2011 pela artista plástica cearense Márcia Pinheiro. As peças que retratam o animal esquelético são colocadas em frente a prédios públicos, para trazer atenção à pobreza e à fome. Segundo o site de Márcia, as ações buscam fomentar a reflexão e a discussão acerca do tema, “aproximando as pessoas da realidade através da arte, democraticamente”. 

No perfil atribuído a Márcia no Instagram, é possível encontrar fotos das esculturas de vacas magras em frente à Secretaria de Educação do Estado do Ceará e ao Palácio da Abolição, sede do governo do Estado. 

O perfil também publicou uma foto da vaca amarela em frente à B3 nesta manhã, com os dizeres “É hoje”. Também no Instagram, a artista explica que, para realizar as intervenções, utiliza 10 esculturas idênticas com tamanhos aproximados ao tamanho real do animal, confeccionadas em seu ateliê com resina, fibra de vidro, várias camadas de massa acrílica e tintas. 

A reportagem tentou contato com Márcia Pinheiro, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Procurada, a Subprefeitura da Sé informou que a instalação da escultura da vaca magra não tinha autorização e que, assim que uma equipe de fiscalização chegou ao local, ainda na manhã desta quinta-feira, a escultura já havia sido retirada. A peça, portanto, não foi apreendida. 

Remoção do touro de ouro 

A estátua do touro de ouro foi inaugurada em frente à B3 no dia 16 de novembro, com a presença de nomes do mercado financeiro, como o fundador da XP, Guilherme Benchimol.  

Uma semana depois, porém, foi retirada após decisão da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão ligado à Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo. Os integrantes da comissão decidiram que a peça tinha caráter de peça publicitária, além de não ter licença para estar lá. 

O touro é o símbolo do mercado financeiro em todo o mundo, pois simboliza os períodos de alta das Bolsas já que o ataque dele é de baixo para cima. A escultura mais simbólica, o "Charging Bull", feito pelo artista ítaloamericano Arturo Di Modica e conhecido como Touro de Wall Street, fica no centro financeiro dos Estados Unidos, em Nova York. A peça fez com que diversos touros fossem espalhados pelo mundo.

Mas o touro de ouro criou polêmica desde a sua inauguração. A instalação da peça em frente à Bolsa em São Paulo não agradou a movimentos sociais, que consideram o momento econômico inapropriado, já que o País está com a inflação e o desemprego em alta e não é descartada uma recessão para o ano que vem. Com isso, o touro amanheceu diversos dias avariado com mensagens de reprovação ou lembrando da situação econômica, como a palavra "fome".

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