Vácuo de poder nos EUA preocupa Lula, afirma Mantega

Ministro ressalta que País tem boas condições para lidar com crise e pode continuar trajetória de crescimento

Da Redação,

24 de novembro de 2008 | 17h41

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado com o "vácuo de poder" que existe nos Estados Unidos atualmente, segundo relatos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, após a reunião ministerial. De acordo com Mantega, o que está acontecendo é que o atual presidente já não tem mais possibilidade de tomar as medidas necessárias para lidar com a crise financeira, e o "novo presidente, que tem autoridade e prestígio, ainda não assumiu", disse.   Veja também: Plano de estímulo é prioridade da equipe econômica, diz Obama De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise    Ele afirmou que a antecipação que Barack Obama está fazendo de sua equipe econômica pode ajudar e elogiou a nomeação do presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, Timothy Geithner, para a secretaria do Tesouro. "Ele está envolvido no plano de recuperação da economia americana, já tem uma intimidade com o que está sendo feito, e é um homem de confiança dos democratas", disse.   Mantega relatou que, durante a reunião, Lula ouviu dos ministros de cada área um balanço sobre seus setores, e que concluiu que o País pode continuar seguindo com sua trajetória de crescimento, mesmo em meio à crise financeira. "Com alguns arranhões, mas seguindo a trajetória", teria dito o presidente, segundo o ministro.   Ele afirmou também que o Brasil está em uma situação melhor para enfrentar a crise financeira internacional do que outros países emergentes, como, por exemplo, a Índia, a Coréia e a Rússia. Mantega reproduziu ainda outra frase do presidente sobre a crise: "Estamos sendo atingidos, seremos atingidos, mas, em relação à Índia, Coréia ou Rússia, o Brasil está em uma situação melhor."   O presidente afirmou, segundo o ministro da Fazenda, que a situação da economia brasileira não se deve a uma fatalidade nem à sorte. "Se fosse isso, todos os países estariam surfando na onda das commodities", disse o presidente, segundo o ministro.   Lula destacou, de acordo com o relato de Mantega, que, diferentemente de outros governos, o do Brasil fortaleceu as reservas, buscou novos mercados e se tornou menos vulnerável. "Tudo isso foi algo produzido pelo governo ao longo do tempo. Não é por acaso que o Brasil está em situação melhor. Estamos mais bem equilibrados que outros países, que estão tendo, por exemplo, grande fuga de capitais", afirmou.   Ele admitiu ainda que o próximo ano será um pior que 2008 para todo o mundo, com os Estados Unidos, União Européia e Japão entrando em recessão. "Porém, com a vantagem de que eles estão buscando o caminho da recuperação", ressaltou.   G-20   Durante a reunião ministerial na Granja do Torto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um relato sobre o encontro do G-20 em Washington na semana passada. "Ele(Lula) falou muito do G 20. Na avaliação dele, alguns chefes têm visão mais clara da crise", disse Mantega que citou especificamente os primeiros ministros da Inglaterra, Gordon Brown, e da Índia, Manmohan Singh.   "Todos eles têm consciência de que a crise é grave e requer medidas urgentes para ser debelada", afirmou o ministro. Mantega ressaltou ainda medidas tomadas por outros países como a china para reduzir os efeitos da crise. Ele lembrou que a China anunciou um pacote de US$ 600 bilhões para os próximos dois anos. "Mesmo assim, a China deverá ter uma desaceleração de 12 para 8%", disse.   (com Leonencio Nossa e Renata Veríssimo, da Agência Estado)

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