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Vagas são incompatíveis com trabalhadores

Estudo da UNB revela que Sine também tem poucos postos para atendimentos e baixo quadro de funcionários

O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2014 | 02h04

Os problemas do Sistema Nacional de Emprego (Sine) não são poucos. De acordo com estudo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB), o sistema operado desde 1975 pelo Ministério do Trabalho conta com poucos postos de atendimento, um número reduzido de funcionários para atendimento e intermediação dos trabalhadores, e um perfil de vagas registradas pelas empresas incompatível com o nível dos trabalhadores que buscam auxílio.

De acordo com Maria Inez Machado Telles Walter, pesquisadora da UnB e uma das responsáveis pelo estudo, a grande maioria dos postos do Sine executa apenas três ou quatro atividades das 12 que deveriam desempenhar. Normalmente, segundo ela, os funcionários se preocupam com a habilitação do seguro-desemprego, mas deixam de lado a intermediação da mão de obra, ou seja, o princípio fundamental que deveria nortear o Sine: facilitar a transição dos trabalhadores entre os diferentes postos de trabalho e contribuir para a sua reinserção no mercado de trabalho. "Temos legislação boa e adequada. A intermediação está contemplada na Lei, mas não é executada", afirma.

Segundo ela, as condições de trabalho são muito adversas na rede Sine em todo o País. Um exemplo da precarização da rede Sine pôde ser observada nos últimos dias. O Ministério do Trabalho mudou o sistema para dar entrada no benefício para se adequar à exigência de encaminhar pessoas que pedem o seguro-desemprego pela segunda vez em dez anos em um curso de qualificação como contrapartida ao direito do benefício. No entanto, embora melhor, o sistema desenvolvido pela Dataprev ficou instável e lento em alguns postos do Sine. Foi preciso trocar computadores e aumentar a velocidade da internet para que o sistema rodasse em algumas agências. De acordo com a pesquisadora, os postos Sines com mais estrutura se encontram no Paraná, no Ceará e na Bahia.

Para Maria Inez, estatística com doutorado em Sociologia, existe um descompasso entre as vagas ofertadas no Sine e o perfil de trabalhador que procura os postos para voltar ao mercado. Normalmente, as vagas abertas exigem o ensino médio completo, característica em que não se enquadra a maior parte dos desempregados desses lugares. "É preciso melhorar a forma como a agência Sine deve fazer a recolocação dessas pessoas no mercado de trabalho", afirma.

Há discrepâncias entre os postos do Sine pelo País no atendimento, também. Em média, cada minuto de atendimento na rede do Sine custa R$ 0,22, segundo estudo da UnB. Mas em uma agência em São Paulo, o valor salta a R$ 1,46 por minuto. Lá, a agência conta com um chefe para cada dois atendentes. / J.V. e M.R.A.

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