Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Vagas temporárias não aliviam desemprego em 2016

Nem na região da República, tradicionalmente conhecida pelos anúncios de emprego em cartazes e 'homens-placa', há ofertas de trabalho

Nathália Larghi, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2016 | 15h26

SÃO PAULO - O fim de ano não foi suficiente para melhorar o cenário de quem busca emprego. Nem mesmo as contratações temporárias reagiram para dar alívio ao alto número de desempregados no Brasil, que atingiu novo recorde, segundo o IBGE.

Daiane Borges, 22, é gerente de uma loja de bijuterias no centro de São Paulo e vê diariamente o retrato do desemprego. Ela conta que, além do número de currículos deixados na loja ter aumentado consideravelmente em 2016, se tornou comum ver pessoas com qualificações mais altas buscarem trabalho no comércio. "Há uns dois meses recebi currículos de uma dentista e de uma esteticista já formadas. Universitários também têm deixado muito. Aí a gente vê que está difícil mesmo", afirma.

A admissão dessas pessoas, no entanto, é mais difícil. A gerente explica que teme que profissionais de outras áreas abandonem rapidamente o emprego e diz que geralmente são contratadas pessoas indicadas por conhecidos.

Marilene Mendonça, 33, conseguiu uma vaga de vendedora temporária na loja após passar dois anos sem trabalho. No entanto, nem a época de festas parece ter melhorado o cenário. Em novembro, a Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), estimava que o número de vagas de veraneio em 2016 cairia 7% em relação a 2015 e 25% em relação a 2014.

Há três meses, João Furtado, 58, é um dos brasileiros que ainda está à procura de um emprego. O marceneiro conta que nos últimos três anos trabalhou como autônomo, mas a crise fez a demanda por serviços diminuir. Vivendo de favor nos fundos da tapeçaria de um amigo, Furtado procura um trabalho fixo para conseguir também uma moradia, mas diz que a busca não está fácil. Uma evidência disso é que até os postes da região da Praça da República - conhecida pela divulgação de vagas feita em cartazes ou pelos chamados 'homens-placa' - estão vazios.

As poucas vagas que surgem são preenchidas rapidamente. Em uma lanchonete na mesma região, a gerente Paloma Oliveira conta que foi preciso menos de uma semana para ocupar duas vagas de balconista e cozinheiro. "Colocamos o cartaz em frente à loja e alguns dias depois contratamos. E até agora tem gente deixando o currículo. Hoje mesmo, foram dois", afirma.

Felipe Benjamin, de 28 anos, foi um dos escolhidos. Após sete meses procurando por emprego sem sucesso, ele conta que conseguiu depois de muito esforço. "Acordei às 6h da manhã pra procurar e finalmente encontrei", comemora.

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