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Vai comprar ações? Comece com ‘blue chips’

Considere que investir no mercado de capitais exige maior conhecimento de finanças, planejamento e dedicação.

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2019 | 05h00

Estou pensando em investir em ações, mas fico preocupado quando ouço que quem ganha nesse mercado são os tubarões que usam de “insider information”. Quando a gente entra no mercado sempre vai pagar a conta. Há algum jeito de escapar dessa sina?

Se isso fosse verdade plena o mercado seria restrito a esse grupo de agentes e todos estariam ferindo a lei, porque estariam usando de informação privilegiada para operar. Há no mercado de capitais operadores e analistas muito competentes e com vasta experiência na negociação de títulos e outros valores mobiliários. Eles trabalham muito focados e são capazes de antecipar resultados ainda não publicados. Justamente por isso, estudos sobre o comportamento de preços nas Bolsas, ao redor do mundo, mostram que via de regra não ocorrem fortes alterações nos valores na data de divulgação das demonstrações econômico-financeiras das empresas. Alta volatilidade ocorre quando são divulgados fatos relevantes que o mercado não tinha como antecipar. Por outro lado, há fortes indícios em nosso mercado e também no exterior que deixam evidente a utilização de informação privilegiada. Um caso famoso ocorrido neste ano foi a condenação a oito anos de prisão de Eike Batista por utilização de insider information para negociar ações da OGX. Temos de lembrar que esse comportamento se trata de crime e cada vez mais as entidades fiscalizadoras atuam inibindo a prática. Também deve ser mencionado que entre 2016 e setembro de 2019 o número de pessoas físicas na Bolsa de Valores cresceu acima de 155%, passando de 813 mil para mais de 1,4 milhão de investidores. No entanto, considere que investir no mercado de capitais exige maior conhecimento de finanças, planejamento e dedicação. Comece treinando em simuladores e/ou investindo em fundos de ações. Caso não resista e resolva comprar ações, pesquise sobre as corretoras, serviços oferecidos e leia sobre as empresas e invista em ações “blue chips”, as mais negociadas no mercado.

Uma das matérias que li sobre criptomoedas dizia para não investir nessas moedas e cita exemplos da quantidade de fundos de hedge que estão aplicando nesse mercado. Isso é fake news?

Não é fake news. Mas esse é um daqueles casos de notícias que são divulgadas conforme o interesse comercial do emissor e são omitidas certas partes que “não interessam” a todos. Os fundos de hedge buscam altas rentabilidades. No Brasil, estão classificados como fundos multimercado. Eles têm liberdade para investir em diferentes ativos, podem investir em derivativos, realizar operações day trade, aplicar em títulos privados, imóveis, obras de arte, etc. Podem ser alavancados, vender a descoberto, alugar ativos e lançar mão de operações estruturadas. Provavelmente o nosso leitor está se referindo à noticias que têm como base o relatório 2019 Crypto Hedge Fund Report, da PwC, que traz dados sobre os fundos de hedge que investem em criptomoedas. São 150 fundos desse tipo que administram US$ 1 bilhão em ativos. Em 2018, esses fundos tiveram rentabilidade negativa de 46%, sendo que os fundos desse grupo de maior risco perderam 63%, em média. A Bitcoin no mesmo período perdeu 72%. Chama a atenção o local de domicilio desses fundos: 55% dos que são dedicados a criptomoedas estão nas Ilhas Cayman e 17% nos EUA. Os custos médios são 1,72% de taxa de administração e 23,5% por performance. Investir nesse tipo de fundo depende muito da carteira do investidor, que deve considerar o alto risco desse mercado. 

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