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Vai dar zika?

A descontrolada ação do vírus zika no Brasil começa a colocar em risco o sucesso dos Jogos Olímpicos agendados para agosto deste ano, no Rio.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2016 | 03h00

As pressões pelo cancelamento estão aumentando, mas é ainda remota a probabilidade de que aconteça. É um evento cujo custo final previsto para o Brasil é de R$ 39,07 bilhões, dos quais R$ 7,1 bilhões apenas nas obras de instalações olímpicas. Juntas, as Redes Globo, Record e Bandeirantes pagaram R$ 210 milhões para transmitir o evento em TV aberta, enquanto o Comitê Organizador já levantou R$ 3,7 bilhões apenas com a venda de cotas de patrocínio oficiais.

O zika, porém, já atrapalha o turismo brasileiro. Diretor da agência Del Bianco, que negocia pacotes de viagens para estrangeiros, Claudio Del Bianco lamenta que nas últimas duas semanas teve de enfrentar cancelamentos justificados apenas pelo alastramento do zika no Brasil.

Conforme avaliações da Agência Rio-Negócios, cerca de R$ 2 bilhões foram aplicados no setor hoteleiro do Rio desde 2010 para dar conta da demanda, o que correspondeu ao aumento de 24% na oferta de hospedagem. O investimento deixará um legado para a cidade, mas a diminuição da demanda de turistas em consequência do surto, mesmo com a realização dos Jogos, pode produzir um grande prejuízo. 

Coincidência ou não - e aliada à crise econômica do País -, as empresas nacionais de aviação reduziram os preços das passagens para 5 de agosto, data da abertura da Olimpíada. Em outubro, R$ 2.048,00 era o mínimo cobrado pelas companhias TAM, Gol e Avianca para quem voasse do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para o Santos-Dumont, no Rio. Hoje, a Gol cobra a partir de R$ 1.514,90; a Avianca faz por pelo menos R$ 745,00; e a TAM tem o preço mínimo em R$ 532,00.

O cancelamento ou até o adiamento dos Jogos produziria incalculáveis estragos esportivos. A preparação dos atletas em todo o mundo leva em conta que suas condições físicas e técnicas atinjam o auge na Olimpíada. Qualquer mudança nos cronogramas produziria enormes interferências de desempenho.

O goleiro Maik, da seleção masculina de handebol do Brasil, por exemplo, já com 34 anos, terá no Rio sua última oportunidade de participar de competições desse porte. Ele calcula que enfrentaria perdas que poderiam chegar a R$ 150 mil apenas com eventual cancelamento das parcelas mensais do programa Bolsa-Atleta, a que terá direito se disputar a Olimpíada e continuar sendo convocado para a seleção depois disso. Mas este seria item de menor importância. Pode-se imaginar o que um campeão poderia perder em patrocínios, participação em publicidades e novas oportunidades.

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos negou a informação da agência Reuters de que teria liberado seus atletas a não viajar ao Brasil se não se sentirem seguros. Mas contratou dois infectologistas para orientar suas equipes. O comitê do Quênia foi mais longe nas ameaças. Comunicou que vai esperar até o último minuto para tomar uma decisão. 

O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, declarou no dia 1.º que não existe possibilidade de que o zika interfira no cronograma da Olimpíada. É só a aposta dele, bem entendido./ COLABOROU FERNANDO ARBEX

CONFIRA

Perdeu o rumo

O governo parece perdido diante da encalacrada fiscal. As notícias preliminares são de uma queda ainda maior do que a esperada da arrecadação e de mais “despesas obrigatórias”. 

Sem solução

A decisão de adiar para 22 de março o anúncio do contingenciamento das despesas sugere duas coisas: ou que o ministro da Fazenda não conseguiu equacionar o problema; ou que não há consenso dentro do governo para o encaminhamento de uma solução. 

Banda 

São fatos que derrubam qualquer chance de insistir no cumprimento da meta fiscal de 0,5% do PIB em 2016. A ideia de criar uma banda de resultado primário, que teria um piso e um teto dependente do comportamento da arrecadação, é pura enganação. O que conta é o que acontecerá com a dívida. O ministro Nelson Barbosa também não está conseguindo dizer nem quando nem como pretende obter a retomada do crescimento, crítica também se fez dentro do governo ao ministro que o precedeu, Joaquim Levy.

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