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Vai uma dica? Invista e fique rico

Não há “receitas fechadas” que deem conta de gerar riqueza para todos

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 06h00

Muito tem se discutido como preservar o bolso no ambiente de alta volatilidade dos mercados e com taxas de juros reais negativas. Os investidores com grandes volumes de recursos mantêm carteiras bem estruturadas, contam com suporte e sabem muito bem o que fazer com seu dinheiro. Se andaram perdendo, já estão se reposicionando para recuperar os ganhos; outros aproveitaram e ganharam mais dinheiro com a crise.

O problema fica no colo do pequeno investidor, que estava acostumado a aplicar na renda fixa e agora terá de correr mais risco para preservar sua poupança. Quando pesquisamos na internet, encontramos muitos e variados textos, podcasts e vídeos dedicados a ensinar o pequeno investidor. Existem as mais variadas dicas de como o investidor com esse perfil pode se sair bem no mercado financeiro. O que chama atenção é o fato de que esse vasto material começa quase invariavelmente dando dicas de como entrar no mercado e “começar a ganhar” sem a preocupação de esclarecer o básico sobre investimentos.

Duas palavrinhas mágicas em finanças muitas vezes não são sequer mencionadas: risco e retorno. Dicas tipo “Betina” de como ficar rico do dia para noite. Uma das modas é ler sobre as “máximas” ou “dicas” dos grandes bilionários. Por exemplo, as máximas de Warren Buffett ou de seguir o portfólio de seu fundo, o Berkshire Hathaway, que é um conjunto diversificado de blue chips, como American Express, Coca-Cola, Apple e Amazon, mas também com apostas de crescimento menos conhecidas. Mas, cuidado, nem sempre o que ele fala, ele faz. Em março, disse que não iria vender ações das companhias aéreas, mas em maio vendou todas. Pelos relatórios do próprio fundo podemos ver que o portfólio de “ações do Buffett” não é tão diversificado quanto poderíamos supor.

Obviamente há boas dicas e muitas lições podem ser tiradas desses exemplos. Mas que não devem ser seguidos cegamente e que sejam tomadas decisões de investimentos baseadas somente nessas “verdades” que soam tão bem e se tornam absolutas em relação ao “nosso” dinheiro. 

Aí reside o problema: a dica é de outro, mas o dinheiro é nosso! Há alguma moral nessas dicas e máximas? Sim, não há “receitas fechadas” que deem conta de gerar riqueza para todos. Podemos, aqui, lembrar do velho ditado: não há almoço grátis. Até mesmo poderíamos cunhar outra máxima: “Aquele que realmente sabe ganhar dinheiro ao outro não contará”. Bom, nesta eu acredito.

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