Vale a pena definir o tempo de uma aplicação

Meu filho tem 22 anos e dei a ele R$ 43 mil. Ele não quer comprar um carro e ainda não sabe o que fazer com o dinheiro. Acredito que ele não usará esse dinheiro no próximo ano. Apliquei em um fundo de renda fixa curto prazo, com taxa de administração de 0,50% ao ano. Em maio, rendeu 0,54% e no ano, 2,53%. Este rendimento não inclui o Imposto de Renda que, caso ele saque em até 6 meses, deixará a rentabilidade inferior à poupança. Mesmo que fique mais tempo, acredito que está perdendo para a inflação. Estive vendo o Tesouro Direto, mas acredito que seja um investimento de longo prazo. Acho ruim a assessoria financeira do meu banco, a ponto de estar pensando em mudar. O que o senhor me sugere?

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV, DA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2013 | 02h04

Converse com o seu filho e estabeleça com ele um objetivo para utilização desse dinheiro. Assim, irão saber qual o prazo mais adequado para investir o recurso. No ano, até maio, a caderneta de poupança com base na Selic rendeu 2,52%, não tendo custos e incidência de IR. No fundo de RF, há a taxa de administração de 0,5% e, em caso de resgate imediato, haverá incidência de 22,5% de IR sobre o ganho, o que reduziria a rentabilidade para 1,96%. Por outro lado, as aplicações financeiras não têm obtido ganhos maiores do que a inflação em 2013, a não ser aquelas com maior grau de risco, como as relativas ao dólar. Os títulos do Tesouro Direto são boas alternativas de investimento para o longo prazo. Caso o banco em que você mantém conta não esteja atendendo adequadamente, não hesite e busque por alguma instituição que dê a devida atenção aos seus clientes.

Tenho 19 anos e um soma entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil disponíveis para investir todo mês. Tenho conhecimentos de investimentos não muito avançados e estou disposto a tomar riscos para ter maior chance de lucro. Quais os investimentos mais recomendados?

Como o volume disponível é baixo e você ainda não tem fortes conhecimentos de finanças, comece investindo em caderneta de poupança. O risco é baixo e a rentabilidade pequena, mas o objetivo deve ser de longo prazo. Comece de maneira simples e almejando ter uma carteira diversificada. O momento não está bom nem para profissionais. Entenda que a base para qualquer investidor está em planejar, ser dedicado e conhecer investimentos. Para você começar é essencial estabelecer o seus objetivos de vida e com base neles deverá ser estruturada a sua carteia de investimentos. Quando houver um volume maior de recursos e você tiver mais conhecimentos comece a investir em outros tipos de aplicações. Uma parte preserve em renda fixa de longo prazo e baixo risco, como títulos do Tesouro Nacional. Outras opções são Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ou do Agronegócio (LCA). Mantenha parte da carteira em curto prazo, como a própria poupança e CDB, e outra parte em fundos. Futuramente uma parcela de seus investimentos poderá ser em ações.

Tenho 61 anos e uma previdência do antigo Banco Real, tendo entrado em dezembro de 1997 e saído em dezembro de 2012. Acumulei um saldo de R$ 279.634 bruto. Se eu resgatá-lo agora, será debitado 15% de imposto. Se eu optar pela renda vitalícia receberei R$ 2.246,46 (líquido), corrigido pelo IGP-M. O que é melhor?

Depende se você tem beneficiários que poderão ou precisarão usufruir do dinheiro. Se a preocupação é com a manutenção de renda mensal, a alternativa de recebimento do beneficio corrigido pelo IGP-M é boa, mas lembre-se que em caso de morte o beneficio cessará e não haverá direito algum dos sucessores sobre eventuais saldos, a não ser que seja contratado que a renda será transferida para o beneficiário indicado, como cônjuge ou filho, podendo ocorrer por tempo determinado ou também vitaliciamente. Isso é indicado em casos de beneficiário com deficiência. Se resgatar o saldo, ele deverá ser aplicado de outra forma, sob sua gestão. Você deverá investir os recursos de maneira a poder fazer retiradas e obter renda. Verifique bem a condição tributária do plano porque a partir de 2005 passaram a existir duas tabelas de IR para previdência privada (a tabela progressiva e a regressiva), ambas permanentes a partir da opção. Na regressiva, os investimentos são tributados por tempo de aplicação, partindo da alíquota de 35% (até dois anos) e atingindo 10% para prazo de acumulação superior a 10 anos. A tabela progressiva é a conhecida por nós quando da declaração de IR e pelo saldo da sua conta a alíquota é de 27,5%.

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