Vale acerta reajuste provisório de 90%

Vale acerta reajuste provisório de 90%

Segundo jornal 'The Nikkei', preço foi acertado com a siderúrgica Nippon Steel

, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

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A siderúrgica japonesa Nippon Steel e a Vale chegaram a um acordo provisório para estabelecer o preço do minério de ferro em cerca de US$ 105 por tonelada no trimestre entre abril e junho deste ano, segundo o jornal japonês The Nikkei. O preço é cerca de 90% acima do valor do ano fiscal de 2009, mas as duas partes ainda não estão em total acordo e as negociações continuam, diz o jornal.

Outro jornal, o Yomiuri Shimbun, publicou que o preço da tonelada pode chegar a US$ 110. A Nippon e a Vale esperam resolver as divergências até o fim do próximo mês. O preço acertado será aplicado retroativamente a 1.º de abril e, provavelmente, vai quebrar o recorde de quase US$ 79 estabelecido no ano fiscal de 2008. Esse será o primeiro aumento em dois anos.

A siderúrgica sul-coreana Posco, que conduz as negociações junto com a Nippon Steel, também aceitou provisoriamente um aumento de 90%. Se o preço do minério de ferro consumido pelo Japão subir 90% no ano fiscal de 2010, a indústria siderúrgica japonesa verá seus custos crescerem US$ 6,15 bilhões em relação ao ano fiscal anterior.

A Vale propôs um forte aumento no início deste mês, apoiada no crescimento da demanda em mercados emergentes e na recuperação da produção de aço global. A mineradora também tenta negociar sistemas trimestrais de preços, no lugar de anuais. A Nippon Steel se opõe.

Em razão do rápido aumento da demanda por minério de ferro na China e em outras economias emergentes, o preço médio do minério à vista subiu para entre US$ 130 e US$ 150 por tonelada desde fevereiro - acima do nível de US$ 60 no mesmo período do ano passado.

Novo modelo. No Brasil, o presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que as negociações "já andaram muito". Ele espera que o reajuste do minério de ferro seja fechado até o fim de abril. Indagado sobre se a Vale estaria tentando aplicar um modelo baseado no sistema de indexação da consultoria Platts, respondeu: "Não queremos indexar nada. O indexador é o mercado."

Conforme Agnelli, a Vale está propondo um modelo baseado em médias trimestrais de preços. "A cadeia é longa, com seis meses entre o planejamento e a entrega dos produtos", disse. Segundo ele, os reajustes trimestrais seriam convenientes tanto para fornecedores quanto para clientes. O executivo afirmou que, em 2009, a Vale "segurou reajustes" nos contratos de longo prazo (benchmark). "Mas o mercado mudou, e agora está faltando minério." Agnelli reiterou que a produção não está acompanhando a demanda.

Investigações. A Federação Europeia das Siderúrgicas (Eurofer) vai enviar à Comunidade Europeia carta solicitando investigação sobre supostas distorções de preços do minério. Agnelli afirmou que a Eurofer "esqueceu que o período de colonização, em que os países subdesenvolvidos produziam para sustentar o bem-estar deles (da Europa), acabou". "O grande mercado está na China, que consome hoje 60% do mercado transoceânico. É para lá que temos de olhar", disse.

Indagado sobre a possível resistência da China à mudança do modelo de reajuste, o executivo ressaltou que, no ano passado, boa parte dos chineses não respeitou o contrato. "Benchmark só para eles, cara-pálida, não vale a pena", brincou o presidente da Vale. / CHIARA QUINTÃO, COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Colonialismo

ROGER AGNELLI

PRESIDENTE DA VALE

"(A Eurofer) esqueceu que o período de colonização, em que os países subdesenvolvidos produziam para sustentar o bem-estar deles (da Europa), acabou"

Demanda. Mina de Carajás (PA); preço do minério à vista subiu para até US$ 150 a tonelada

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