Vale adia férias coletivas de 450 empregados em Minas

Para atender itens da legislação trabalhista, mineradora reduz para 5.050 o número de trabalhadores parados

Denise Luna, da Reuters,

08 de janeiro de 2009 | 15h15

A Vale suspendeu as férias coletivas programadas para os 450 funcionários da mina de Fábrica Nova, em Minas Gerais, por falta de tempo hábil para atender itens previstos na legislação trabalhista brasileira, segundo informou a companhia nesta quinta-feira. Segundo a assessoria, as férias coletivas foram adiadas por tempo indeterminado, reduzindo para 5.050 o número de empregados parados nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, de forma escalonada.    Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    No final do ano passado, a Vale anunciou que colocaria 5,5 mil empregados em férias coletivas e demitiria 1.300 no mundo inteiro.   Nesta quinta-feira, sindicatos ligados à Vale e demais atividades econômicas afetadas pelas demissões feitas pela empresa em Minas Gerais realizam manifestação na cidade de Itabira, onde segundo o coordenador da Coordenação Nacional de Lutas, uma das organizadoras, José Maria de Almeida, a Vale representa 80 por cento da economia local.   "A Vale não tem motivo para demitir, o próprio Roger (Agnelli, presidente da empresa) enche a boca para falar que tem 15 bilhões de dólares em caixa, porque o trabalhador é que tem que pagar?", protestou.   Depois de manifestações pela manhã, que reuniram cerca de 200 pessoas em frente à mina da Conceição, Almeida disse esperar reunir entre 3 e 4 mil pessoas nas manifestações da tarde, que vão incluir sindicatos ligados a outras atividades, como empreiteiras.   "Em Itabira a Vale demitiu 76 empregados, mas as empreiteiras que servem a ela demitiram mil empregados, temos que fazer alguma coisa", explicou o sindicalista, que pretende se reunir com a empresa na próxima semana.   Ele disse que a Vale prometeu uma reunião na próxima semana para apresentar uma proposta aos sindicatos. As reivindicações dos trabalhadores são retorno dos demitidos, manutenção dos salários e dos empregos.   A Vale informou que vem se reunindo regularmente com os sindicatos. A assessoria da empresa disse que o número de demissões em Itabira foi de 62, e não de 76 pessoas como informou o sindicalista, e destacou que mesmo com as demissões o número de empregados da companhia na cidade passou de 2.823 em janeiro de 2008 para 3.125 em dezembro de 2008.   "Aumentamos em 279 o número de empregados, não podemos ser responsabilizados pelo ajuste de outras empresas", disse uma assessora à Reuters pelo telefone referindo-se às demissões das empreiteiras de Itabira.   Ela explicou que a Vale continua se esforçando para evitar novas demissões e não cancelou nenhum dos seus projetos. "Como o presidente da empresa disse, pode variar o ritmo de implantação dos projetos, mas nada foi cancelado", afirmou a assessora.   A Vale planeja investir US$ 14,2 bilhões em mais de 30 projetos em 2009, sendo 70% desse total no Brasil.

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