Vale: alta do minério de ferro não afeta inflação

O reajuste de 90% no preço do minério de ferro, defendido pela Companhia Vale do Rio Doce, não pressionará a inflação, afirmou o presidente da companhia, Roger Agnelli, em entrevista ao Espaço Aberto, da "Globo News". Segundo ele, o aumento é um reflexo do atual momento do mercado internacional. "Todas as commodities atingiram o maior pico em termos de preço na história. O que provocou esse desequilíbrio entre oferta e demanda foi a China." Agnelli avalia que os efeitos desse aumento no mercado interno serão pequenos. "A Vale é uma empresa essencialmente exportadora. A gente exporta praticamente 90% de toda a produção. Internamente, são poucos os nossos clientes."Para o presidente da Vale, seria muito melhor produzir aço no Brasil. "Para nós, o mercado doméstico seria o melhor destino para o minério de ferro." Mas, segundo o executivo, não houve grandes investimentos do setor no Brasil nos últimos 15 anos. "Temos agora um projeto da CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão), que está instalando o seu terceiro alto-forno, é o único que está sendo instalado nesses últimos anos." Agnelli afirmou que a companhia tem procurado estimular alguns de seus clientes a investir no Brasil. "Recentemente anunciamos investimentos com a ThyssenKrupp em uma planta siderúrgica em Sepetiba, no Rio de Janeiro. Nós também terminamos estudos técnicos com a Baosteel, maior siderúrgica chinesa, para investir em São Luís do Maranhão. E temos praticamente outros quatro grandes grupos internacionais interessados em investir no País." Apesar dos gargalos da infra-estrutura brasileira, o executivo se mostrou otimista. "Eu acho que o governo federal está consciente da necessidade de eliminar os gargalos nos corredores logísticos. O governo está trabalhando. Acho que a PPP (Parceria Público-Privada) vai ser uma ferramenta que poderá acelerar os investimentos em ferrovias." Indagado sobre as acusações contra a empresa de monopolizar as ferrovias no País, Agnelli argumentou que nos últimos anos 60% do que se investe no setor é da companhia. "Somos monopólio porque ninguém investiu. Quem estava no setor saiu. Então, nós ficamos como monopólio", explicou. Agnelli afirmou que o País não corre risco de racionamento de energia nos próximos quatro anos. "Acho que tivemos uma regulamentação nova, que de alguma forma conseguiu superar as dificuldades pelas quais o País passou há dois anos em termos de racionamento." O presidente da Vale afirmou ainda que o governo está consciente da necessidade de aumentar investimentos em energia. Mas ele ressaltou que é preciso construir um novo modelo para que se agilize os investimentos. E citou a falta de clareza na regulamentação ambiental do Brasil como um dos entraves à entrada de recursos no País.

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