Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Vale anuncia venda de usina de níquel na Nova Caledônia

Operação é um assunto polêmico no arquipélago francês na Oceania e tem provocado tensões entre movimentos pró e contra a independência do território

AFP

09 de dezembro de 2020 | 12h21

NOUMÉA - A Vale anunciou nesta quarta-feira, 9, a venda de sua planta de níquel na Nova Caledônia, um arquipélago francês na Oceania, para um consórcio com participantes locais e internacionais, do qual participa a Trafigura, que comercializa matérias-primas, e que provocou forte oposição do movimento de independência. 

"O consórcio liderado pela administração e funcionários da Vale Nova Caledônia (...) com a Trafigura como acionista minoritária, tem o prazer de anunciar que celebrou hoje um acordo firme para a compra das ações da Vale Nova Caledônia, em posse da Vale Canada Limited, uma subsidiária da Vale S.A ", informou a empresa local em comunicado.

A Vale Nova Caledônia especifica que "essa solução de compra garantirá a continuidade da exploração e desenvolvimento da usina no respeito às suas responsabilidades sociais e ambientais por uma nova empresa (chamada de) Prony Resources, na qual investidores locais controlam 50%". “O projeto vai garantir mais de 3 mil empregos diretos e indiretos”, afirmou Antonin Beurrier, atual presidente da Vale NC. Depois de perder bilhões de dólares, a Vale anunciou no fim de 2019 sua intenção de deixar a Nova Caledônia, onde opera uma planta metalúrgica de níquel e cobalto, localizada próxima à rica e estratégica jazida de Goro.

A planta, que enfrentava grandes dificuldades técnicas, foi redimensionada antes de ser colocada à venda e produz um produto destinado ao mercado de baterias de carros elétricos. 

A compra da unidade é um assunto polêmico, que causa tensões entre independentistas e não-independentistas. O anúncio da operação veio após vários dias de bloqueios e confrontos com as forças de segurança devido à "oposição total" à presença da Trafigura por parte dos independentistas do grupo FLNKS, do coletivo "Usine du sud: usine pays" (fábrica do sul, fábrica do país) e do fórum de negociação autóctone. 

Essas organizações defendem o nacionalismo na área de mineração e apoiavam outra oferta pela planta, em associação com a Korea Zinc, que foi rejeitada pela Vale antes de o grupo coreano anunciar na segunda-feira que estava se retirando da disputa.

Nesta quarta-feira, a violência aumentou, com bloqueios de estradas e contra-bloqueios dos  oponentes em Paita, ao norte de Nouméa, a capital da Nova Caledônia. Durante a noite, um posto de gasolina foi incendiado em Mont-Dore e todos os postos de gasolina serão fechados na quinta-feira "para forçar o estado a manter a lei e a ordem".

"Gangues armadas atacaram repetidamente as forças de segurança. Conflitos sucessivos ocorreram ao longo da noite e lamentamos lojas incendiadas, um parque saqueado e um ferido entre nossos bombeiros", disse o prefeito de Mont-Dore, Eddie Lecourieux, em comunicado.

Entre 500 e 1.000 pessoas que denunciaram a inação do Estado se reuniram na noite de terça-feira, convocadas pelo ex-prefeito de Paita Harold Martin para colocar barreiras e convidar "os cidadãos a se defenderem". 

Diante da escalada de violência, o alto comissário Laurent Prévost proibiu o porte e transporte de armas de fogo e facas. O ministro do Exterior, Sébastien Lecornu, vai se reunir na quinta-feira por videoconferência com os principais políticos da Nova Caledônia, mas os ativistas pró-independência indicaram que vão boicotar o encontro.

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