Vale aprova a aquisição de participação do Bertin em Belo Monte

Conselho da mineradora deu aval para compra de até 9% do capital da Norte Energia

Agência Estado,

28 de abril de 2011 | 18h25

A Vale informou nesta quinta-feira, 28, por meio de fato relevante, que seu conselho de administração aprovou a aquisição de até 9% do capital da Norte Energia (NESA), parcela detida pela Gaia Energia e Participações (Gaia, do Grupo Bertin), "sujeita ao cumprimento de determinadas condições". A NESA é uma sociedade que tem como objetivo exclusivo a implantação, operação e exploração da usina hidrelétrica de Belo Monte. A Agência Estado antecipou em 24 de março que a Vale ficaria com a fatia do Bertin em Belo Monte. Nesta quinta-feira, 28, o jornal Estado de S.Paulo também havia antecipado a decisão.

Conforme o fato relevante, a Vale reembolsará a Gaia pelos aportes de capital realizados na NESA e assumirá os compromissos de aportes futuros de capital decorrentes da participação acionária adquirida, o que é estimado em R$ 2,3 bilhões.

O diretor de Executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, informou que a mineradora irá capitalizar o consórcio Norte Energia, responsável pelo projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, com US$ 400 milhões a US$ 500 milhões. Além desses recursos, a mineradora irá também participar dos financiamentos necessários à viabilização do projeto. A expectativa é de que 75% do investimento serão financiados.

Martins estima que o orçamento de Belo Monte fique em R$ 25,8 bilhões. Desse total, caberia à mineradora a cifra de R$ 2,3 bilhões, valor que inclui a capitalização e os financiamentos necessários. Martins revela que a companhia pagou menos de R$ 5 milhões, valor referente a despesas feitas pela Gaia.

Decisão econômica

O diretor da Vale negou que a decisão da companhia de entrar no projeto para a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), tenha como pano de fundo questões políticas.

"Pelo lado que for analisado, estamos tranquilos em dizer que essa é uma decisão econômica, que não tem nenhum aspecto político envolvido", enfatizou o executivo ao lembrar que a Vale já estuda participar do projeto há mais de um ano e meio. Martins argumenta que a mineradora chegou até a participar do leilão de Belo Monte pelo consórcio perdedor.

O diretor conta que, com as dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo Bertin a Vale teve a oportunidade de voltar a analisar o projeto e decidiu participar. Além disso, enfatizou, a entrada em Belo Monte vai ao encontro da estratégia da companhia de ampliar investimentos em autogeração de energia. "Nossa entrada no setor não é nova, não é recente. É só olhar os históricos: temos quase 10 usinas hidrelétricas que participamos", afirmou. Além disso, "o projeto também permite que a companhia limpe sua matriz energética e oferece uma rentabilidade dentro dos limites estabelecidos pelos nossos acionistas", disse.

Texto atualizado às 20h20

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