Vale atravessa seu melhor momento, diz Agnelli

Com preços do minério em alta, empresa registrou no segundo trimestre um lucro de R$ 6,6 bilhões, um crescimento de 344%

Chiara Quintão e Natalia Gómez, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

Um dia após ter feito uma oferta pública para a compra da Paranapanema, a Vale afirmou que manterá o foco no crescimento orgânico. Em teleconferência com analistas, o presidente da companhia, Roger Agnelli, disse que a empresa só fará aquisições se surgirem oportunidades muito vantajosas no mercado. "Podemos aproveitar oportunidade se surgir um ativo de alta qualidade que gere sinergias."

Segundo ele, a companhia tem várias opções para esse crescimento orgânico. "Temos grandes reservas. Estamos muito confiantes de que continuaremos oferecendo muito retorno para os acionistas", disse. Agnelli ressaltou que o próximo trimestre será "muito forte" para a Vale. "Estamos vivendo o melhor momento da nossa história", afirmou. Na quinta-feira, a mineradora anunciou um lucro de R$ 6,6 bilhões no segundo trimestre, um crescimento de 344% sobre o mesmo período do ano passado.

Segundo Agnelli, a Vale está discutindo a compra da Paranapanema há três anos, mas só tem interesse em levar a operação adiante se conseguir 50% mais uma ação da empresa. A Paranapanema é líder na fabricação de cobre refinado no Brasil. "Estamos crescendo no cobre e acreditamos que as perspectivas para esse mercado são muito boas", afirmou. De acordo com o executivo, a Vale poderá duplicar ou triplicar sua produção de cobre nos próximos anos.

Ele deixou claro que a empresa pretende ampliar sua exposição ao mercado brasileiro, embalada pelas perspectivas de crescimento da economia nacional. No segundo trimestre, a participação do Brasil nas vendas de minério e pelotas de ferro da empresa chegou a 15,1%, ante 8,2% no mesmo período de 2009.

Reajustes. O preço do minério de ferro deve ficar estável no longo prazo, segundo o diretor de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins. O executivo não fez projeções para a commodity nos próximos trimestres, mas disse que o preço da tonelada não ficará abaixo de US$ 100, a longo prazo. "O preço é sustentável na faixa de US$ 90 a US$ 100 por tonelada."

O novo sistema de reajustes começou a vigorar em 1.º de abril. O novo modelo é baseado em reajustes trimestrais, calculados a partir da média das cotações do minério no mercado à vista (spot) chinês por meio de um indexador. O sistema anual vigorou até 2009.

Questionado se o modelo de reajustes trimestrais poderá ser substituído por um sistema mensal, Martins afirmou que "a resposta virá do mercado". Segundo ele, como o preço está se estabilizando no mercado spot chinês, talvez não seja necessária uma mudança.

Segundo o executivo, o novo sistema de precificação do minério de ferro foi bem aceito pelo mercado. Ele garante que os clientes da mineradora estão cumprindo suas obrigações em relação a preço e volume e que o novo sistema já é um "caso de sucesso". O mercado, segundo Martins, está reconhecendo a qualidade do minério da Vale, que tem maiores níveis de concentração de ferro, e está pagando por isso. "Esta é a beleza do novo sistema", afirmou. Ele lembrou que as mineradoras australianas também embutem um prêmio no preço por causa do menor custo de frete para a China. "A Austrália tem diferença por frete e nós por qualidade, e ambos podem ficar felizes", disse.

A Vale teve alguns problemas de entrega no primeiro trimestre por causa de chuvas, o que levou a companhia a entregar parte das encomendas apenas no segundo trimestre a preços antigos. Segundo Martins, 10 milhões de toneladas foram entregues no segundo trimestre com os preços do primeiro trimestre.

A expectativa da empresa é de que essa diferença termine no terceiro trimestre, que costuma ser um período mais forte de vendas e com menos impacto das chuvas. "Acredito que devemos entrar no quarto trimestre sem esta carga adicional", disse.

Agnelli disse ainda que a empresa vai decidir, até o fim do ano, sobre a expansão da ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). A usina terá capacidade para produzir até 5 milhões de toneladas de placas de aço por ano quando estiver a plena capacidade.

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