Vale aumenta oferta pela Xstrata, para US$ 89,3 bilhões

Apostas de analistas do mercado indicam para uma formalização da proposta ainda esta semana

Irany Tereza, de O Estado de S. Paulo,

20 de fevereiro de 2008 | 21h00

A Vale voltou a assediar nesta quarta-feira, 20, a mineradora anglo-suíça Xstrata acrescentando US$ 13,3 bilhões à sua proposta inicial de compra. O valor da oferta teria passado para US$ 89,3 bilhões, com parte do pagamento em ações preferenciais da mineradora brasileira, segundo especulações de mercado. Até agora, as negociações correm em caráter informal, mas as apostas de analistas indicam para uma formalização da proposta ainda esta semana. A expectativa é de que o negócio seja fechado. De qualquer forma, a Vale já tem pronto um "plano B", desviando sua alça de mira para outro ativo, caso a Glencore, controladora da Xstrata, recuse a proposta. O mais provável é que o alvo seja a Alcan, que também recebeu uma proposta informal da Vale no ano passado. A primeira proposta informal da Vale à Xstrata, na semana passada, equivalia ao montante de US$ 76 bilhões, ou US$ 40 por ação. Os controladores da empresa pediam US$ 50 por ação. A oferta atual corresponde a US$ 47. A nova ofensiva sobre a Xstrata ocorre apenas dois depois do fechamento dos primeiros acordos da Vale com siderúrgicas japonesas e européias elevando, pela média de 66,5%, o preço de seu minério de ferro (71% o produzido em Carajás, no Pará, e 65% nas minas do complexo Sul-Sudeste).  Os acordos foram acelerados devido ao interesse da Vale pela anglo-suíça. Com o aumento, a mineradora brasileira acrescenta US$ 10 bilhões à sua geração de caixa, quase o valor adicionado à proposta inicial. Um analista de instituição financeira que preferiu não se identificar explicou que o incremento na receita torna muito difícil um eventual rebaixamento da Vale por agências de classificação de risco após a compra. A manutenção do grau de investimento (investment grade), obtido pela mineradora há quase três anos, é o pré-requisito imposto pela direção da Vale para o fechamento do negócio. Com esta classificação, a empresa integra o grupo de companhias considerado de risco próximo a zero no mercado internacional, o que facilita captações financeiras e negociações para prolongamento de dívida. Desde que anunciou o interesse pela Xstrata, em 21 de janeiro, a Vale tem um prazo de dois meses para formalizar a proposta, ou seja, até 21 de março. Como já recebeu sinal verde dos acionistas para negociar, a direção da mineradora não precisa de um novo referendo do conselho de administração para voltar à mesa com a Glencore. A compra da Xstrata é vista pela direção da Vale como a melhor opção para se ganhar escala no competitivo e concentrado mercado de mineração. A companhia anglo-suíça é considerada complementar aos negócios da Vale, ao ter participação em segmentos não-ferrosos onde a brasileira ainda não detém liderança, como níquel e cobre e zinco. No final de 2006, a Vale comprou, por US$ 18 bilhões, a Inco, a segunda maior produtora de níquel do mundo. A aquisição da Xstrata reduziria significativamente a distância que ainda separa a mineradora brasileira da primeira do ranking mundial do setor, a BHP Billinton, mineradora valorizada pela diversificação de suas atividades. Um fundo europeu com participação na Xstrata informou que os acionistas da mineradora consideram positiva a proposta da Vale de financiar parte da compra da anglo-suíça por meio de ações preferenciais. Isso daria, segundo informou, maior liquidez aos acionistas, além de permitir a participação em uma empresa com atuação mais diversificada. Para este fundo, a principal vantagem da Vale é sua maior exposição ao minério de ferro, que está em plena tendência de alta.  (colaboraram Mônica Ciarelli e Natalia Gomez)

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