Vale avalia a venda futura de 3% de sua produção de minério

Companhia, que tem uma dívida líquida de US$ 27,5 bilhões, planeja levantar até US$ 10 bi com venda antecipada

Reuters

03 de agosto de 2016 | 22h35

A mineradora Vale avalia levantar até US$ 10 bilhões com venda de até 3% de sua produção futura de minério de ferro, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto. Sob os termos do acordo, a maior produtora global de minério de ferro poderá receber pagamentos adiantados por um fluxo de produção futura da commodity para empresas chinesas, cujos nomes as fontes não revelaram.

A ideia é fechar contrato para venda de parte da produção por um período de até 30 anos, disseram as mesmas pessoas.

Essa modalidade de negociação está entre as várias alternativas que o presidente executivo da Vale, Murilo Ferreira, busca para reduzir a dívida líquida da companhia, que somou cerca de US$ 27,5 bilhões em 30 de junho. No início do ano, ele afirmou que a empresa considerava a venda de ativos essenciais para reduzir seu endividamento em US$ 10 bilhões. Procurada, a Vale não comentou o assunto.

Os contratos de venda de fluxo de produção permitem que as mineradoras levantem recursos em ciclos de preços em baixa, garantindo receita sem se desfazer do controle de suas minas. Outras mineradoras, como a Glencore e a Barrick Gold, já realizaram acordos parecidos, para reduzir custos visando enfrentar efeitos da desaceleração da economia chinesa e declínio no preço das commodities.

Em dezembro passado, os preços do minério de ferro atingiram o menor nível em 10 anos.

Produção. Para este ano, a expectativa da Vale é produzir cerca de 340 milhões de toneladas de minério de ferro, ante um volume de 346 milhões no ano passado. As vendas de minerais ferrosos da companhia renderam U$ 16,8 bilhões em 2015.

O potencial acordo para venda antecipada de minério de ferro, se concretizado, ocorreria nos mesmos moldes do anúncio feito pela Vale na terça-feira. A mineradora havia informado que venderá, em menor proporção, parte adicional do ouro contido em concentrado de cobre produzido na mina de Salobo, no Pará. O negócio envolve pagamento inicial em dinheiro de US$ 800 milhões.

O projeto de desinvestimento da Vale continua nos planos da companhia. A unidade de fertilizantes da mineradora está sendo negociada com a norte-americana Mosaic. A transação pode ser anunciada nos próximos meses, disseram as fontes. Nas últimas semanas, contudo, surgiram especulações no mercado de que a Vale poderia reavaliar a venda de alguns de seus ativos de minério de ferro, que respondem por 65% da receita anual. 

Notícias relacionadas
    Tudo o que sabemos sobre:
    ValeGlencoreParáMosaic

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.