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Vale dá mais um passo no setor de petróleo

Mineradora vai comprar empresa de avaliação de bacias petrolíferas

Mônica Ciarelli e Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

A Vale está prestes a dar o segundo passo para criar um braço no setor de petróleo: depois da aquisição de concessões para a exploração do produto, a companhia negocia a compra da empresa de avaliação de bacias petrolíferas PGT. O negócio, estimado pelo mercado em US$ 10 milhões, deve ser anunciado nas próximas semanas e vai garantir à estatal corpo técnico qualificado para a busca por reservas de petróleo e gás.Criada em 2006, na incubadora da Coppe/UFRJ, a PGT assessorou a Vale em sua participação na 9ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no ano passado, quando a mineradora arrematou nove blocos, todos em parceria com empresas de petróleo. A companhia decidiu entrar no setor em 2007, em busca principalmente de reservas de gás para garantir suprimento de energia para suas atividades.Este ano, a Vale já adquiriu participações em três blocos operados por outras companhias - duas da Shell, na Bacia do Espírito Santo, e uma da Repsol, em Santos -, ampliando para 12 o número de concessões das quais participa no setor. A companhia não comentou as negociações para a compra da PGT. O Estado procurou a direção da PGT, que não retornou ao pedido de entrevista.Especialistas acreditam que a compra da consultoria é a maneira mais fácil para a Vale montar uma equipe de exploração, nesses tempos de escassez de mão-de-obra qualificada no setor de petróleo. "Está difícil encontrar gente com essa experiência no mercado e a melhor maneira de montar um grupo de exploração é comprar um já montado", afirma um experiente geólogo que acompanha as negociações. Com faturamento estimado em R$ 10 milhões por ano, a PGT é especialista em identificar áreas com potencial para descobertas de petróleo. Presta serviços para petroleiras independentes no País e no exterior. Além da Vale, figuram entre seus clientes as brasileiras Queiroz Galvão e Starfish, a norueguesa Norse Energy e a colombiana Ecopetrol. "A Vale quer entrar em um negócio que não é o dela. Por isso, a compra de uma empresa especializada ajuda", comentou o analista do setor de mineração da SWL Corretora, Pedro Galdi. O analista lembra que a Vale consome cerca de 4,5% da energia distribuída no Brasil, e sua estratégia visa a expandir a oferta de gás para suas atividades, especialmente no alumínio, segmento muito intensivo em consumo de energia. A falta de disponibilidade de gás criou dificuldades para a implantação de uma siderúrgica no Ceará, em parceria com a coreana Donkuk. O projeto teve de ser alterado para o uso de carvão.Estratégia semelhante foi adotada pela Vale na área de logística, que nasceu para atender às necessidades da mineradora e hoje é um negócio importante no grupo. Só no terceiro trimestre, as receitas com logística somaram R$ 1,034 bilhão, o que representou um incremento de 15,3% frente aos R$ 894 milhões apurados no mesmo período do ano passado.

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