Vale demitirá de 200 a 300 funcionários em julho

A mineradora Vale começa julho com uma nova leva de demissões. O corte, segundo a própria empresa, será de 200 a 300 trabalhadores. Com a decisão, sobe para quase 2 mil o número de funcionários da companhia desligados desde o agravamento da crise financeira global, em novembro do ano passado. Hoje, a empresa fez dois encontros no Rio de Janeiro com grupos de sindicatos ligados à mineradora e marcou mais um encontro para amanhã.

MÔNICA CIARELLI, Agencia Estado

30 de junho de 2009 | 19h00

"Eles informaram que, por conta da crise, a Vale não tinha como segurar essas pessoas. A empresa disse que esse é o fundo do poço e que não deve haver novas demissões", disse o presidente do Sindicato Metabase de Belo Horizonte, Sebastião Alves de Oliveira. Pelo planejamento apresentado aos representantes dos trabalhadores, contou Oliveira, a mineradora aposta em uma recuperação mais efetiva da demanda por seus produtos só a partir de 2010. "Eles disseram que a situação ainda está difícil", afirmou.

A Vale informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as demissões previstas para julho fazem parte de "turn over" (rotatividade) natural de uma empresa do porte da mineradora, que tem 62 mil trabalhadores em sua folha de pagamento, dos quais 46,6 mil no Brasil.

No encontro com sindicalistas ficou acertado que os funcionários demitidos em julho irão receber, além dos direitos trabalhistas previstos pela legislação brasileira, mais seis meses de plano de saúde e um abono de R$ 870,00 por cinco meses. "Tentamos estancar ao máximo o número de demissões. Mas, infelizmente os ajustes serão feitos e é só isso que o trabalhador vai levar", contou o presidente do sindicato.

Oliveira revelou ainda que as demissões irão priorizar funcionários que queiram deixar a companhia e também solteiros. Desde o agravamento da crise, em novembro de 2008, a Vale já demitiu 1,6 mil trabalhadores. Além disso, para se ajustar à nova realidade econômica, promoveu vários cortes de produção em suas atividades no Brasil e no exterior.

O presidente do Sindicato dos Ferroviários de Belo Horizonte, David Eliude Silva, acredita que as demissões na Vale podem chegar a 600 pessoas, o dobro do número informado pela mineradora. O sindicalista, que participou do encontro hoje com representantes da Vale, contou que a empresa anunciou que seu plano é cortar em cerca de 1,5% o número de trabalhadores no Brasil no curto prazo.

"Não há como evitar as demissões. O que estamos tentando agora é tentar minimizar o impacto delas", disse. Entre as medidas para isso está o pedido que a Vale priorize nos cortes funcionários que queiram deixar a empresa e também solteiros. "Dessa forma, o impacto pode ser menor. Quando se demite alguém casado e com filhos, na verdade, está se demitindo mais pessoas."

Silva acredita que os mais afetados pelo corte serão os trabalhadores que ganham o piso da companhia, que está em R$ 855,00. Por isso, segundo ele, foi importante a negociação de um abono de R$ 870,00 para os funcionários demitidos em julho. Segundo o presidente do sindicato, a Vale informou ainda que maio foi seu pior mês e que a situação econômica ainda é forte retração de demanda. Silva conta que os representantes da Vale informaram que o transporte de minério de ferro caiu em maio para 13,5 milhões de toneladas, bem abaixo da média entre 18 milhões e 19 milhões de toneladas registradas nos primeiros meses de 2009.

Tudo o que sabemos sobre:
Valedemissões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.