Vale desiste de projeto de abrir capital de empresa de fertilizantes

Quando plano foi anunciado, em 2009, a empresa estava sob o impacto da queda na demanda por matérias-primas, causada pela crise financeira internacional; atualmente, sua geração de caixa é quatro vezes maior, e suficiente para os investimentos

Monica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

A mineradora Vale cancelou ontem os planos de fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO) de sua subsidiária de fertilizantes. A intenção de abrir o capital da unidade tinha como pano de fundo viabilizar os pesados investimentos de US$ 12 bilhões programados pela companhia no setor.

Inicialmente, a operação estava prevista para o primeiro semestre de 2011. Em março, o diretor executivo de Finanças da Vale, Guilherme Cavalcanti, revelou que o tema tinha voltado à "prancheta de estudos".

Na época, o executivo lembrou que a situação atual da companhia é bem diferente da vivida em 2009, quando a Vale anunciou pela primeira vez a intenção de fazer um IPO de seus ativos no setor. Na época, a companhia ainda sofria com a retração da demanda por matérias-primas provocada pela crise financeira internacional.

Atualmente, a geração de caixa da companhia é quatro vezes maior do que em 2009. O analista chefe da corretora SLW, Pedro Galdi, pondera que, com mais fôlego financeiro, a Vale pode realizar seus investimentos em fertilizantes sem recorrer ao mercado de capitais. Com isso, ela não precisa arcar com os custos de manter uma subsidiária aberta.

A decisão de cancelar a abertura de capital ainda depende de aprovação do conselho de administração da mineradora. Ontem, a companhia anunciou também uma oferta para comprar as ações da Vale Fertilizantes, antiga Fosfértil, na Bolsa de Valores de São Paulo.

O objetivo é fechar o capital da empresa para manter todos os ativos em fertilizantes embaixo de uma única subsidiária de capital fechado.

Para cancelar o registro de companhia aberto da antiga Fosfértil, a Vale vai desembolsar até R$ 2,22 bilhões. Em nota, a empresa informa que as ações da Vale Fertilizantes em circulação no mercado de capitais representam 15,66% de seu capital total.

"A proposta da diretoria executiva da Vale oferece boa oportunidade de liquidez para os acionistas minoritários da Vale Fertilizantes e está alinhada com a estratégia de maximização de valor para os acionistas da Vale ao consolidar os ativos de fertilizantes para a captura de sinergias existentes no portfólio de ativos, otimizando a estrutura de gestão do negócio e garantindo para todos os ativos e empresas os elevados padrões de governança seguidos pela Vale", disse a empresa, em nota.

Compras. A primeira tentativa da Vale de ter uma presença mais forte no segmento foi feita em 2009, quando negociou a compra da gigante americana Mosaic, avaliada na época em US$ 25 bilhões. A operação não saiu do papel. A Vale só conseguiu expandir sua posição no setor no ano passado, após comprar ativos da Fosfertil e da Bunge no Brasil, por um total de US$ 4,7 bilhões.

Essas operações foram agrupadas sob a Vale Fertilizantes, que recentemente incorporou a Vale Fosfatados, companhia que atua no setor de fosfatos.

Em 2011, a mineradora planeja investir US$ 2,5 bilhões, ou 10,4% do seu orçamento anual, no desenvolvimento de projetos de fertilizantes na América do Sul, América do Norte e África .

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