Vale do Rio Doce agiliza internacionalização com a Inco

A incorporação da mineradora canadense Inco pela Companhia Vale do Rio Doce, oficializada esta semana, vai agilizar o processo de internacionalização da companhia brasileira. A avaliação é do diretor executivo da Vale, Tito Martins, em entrevista ao Estado. Ele considera que as duas empresas têm culturas diferentes, mas partilham vários pontos que garantirão ganhos de escala e de conhecimento às duas companhias.Os estilos de administração são diferentes, com a Inco atuando de forma mais descentralizada, enquanto na empresa brasileira houve um movimento de concentração da gestão nos últimos anos "devido ao processo de crescimento acelerado", mas esse ponto não preocupa a Vale.Martins garantiu que a companhia não fará alterações bruscas na empresa canadense. "A Inco tem uma gestão bem estruturada e os três primeiros meses, após adquirirmos a empresa em outubro, foram dedicados basicamente ao levantamento das suas peculiaridades. Esse processo deverá continuar ao longo de 2007", afirmou. Além disso, deverá haver maior intercâmbio entre os executivos, ampliando os conhecimentos das duas companhias. Martins disse que a Vale ainda está analisando o nome do executivo que irá comandar a empresa canadense, o que deverá ser anunciado nas próximas semanas.Ele negou que a Vale já tivesse se fixado nos nomes dos executivos Murilo Ferreira e Leonardo Moretson, como chegou a ser veiculado na imprensa. "Os nomes ainda não estão fechados", garantiu. Martins atribuiu a informação ao fato de Ferreira e Moretson estarem participando do grupo que está interagindo mais diretamente com a Inco, juntamente com o diretor de metais não-ferrosos, José Lancaster. "Eu garanto que ainda não está fechado", reiterou.O executivo da Vale observou que, com a Inco, a empresa brasileira abrirá novas oportunidades de negócios, acessando mercados e clientes que não atingia anteriormente. "Podemos minerar no Brasil e fazer o produto final no exterior", exemplificou.Um aspecto importante será o custo da energia elétrica no Brasil, que preocupa cada vez mais a Vale. A empresa é um dos maiores consumidores de energia no País, mas reclama que os custos internos estão cada vez menos competitivos em relação ao mercado internacional. "Não seria complicado minerar no Brasil, fazer o acabamento numa planta industrial no Oriente Médio, onde a energia é barata, para colocar no mercado asiático. É tudo uma questão de oportunidades", ilustrou.Martins disse que, embora não haja urgência e nem interesse em mudar a administração da Inco, os novos executivos terão de avaliar a curto prazo alguns projetos que já estavam em andamento. Um deles é uma planta de processamento (smelter) na província de Labrador, no Canadá. Ele não quis antecipar a tendência para esse projeto, realçando apenas que "é importante para aquela região".Outro empreendimento relevante é a mina de níquel de Goro, na Nova Caledônia, na Oceania francesa. O projeto já passou por alterações significativas e a decisão final deverá ser anunciada ainda no atual trimestre, informou.

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