Vale e BNDES negociam usina

Banco pode entrar em projeto de siderúrgica no Ceará

Mônica Ciarelli e Daniele Carvalho, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

Depois de suspensas por alguns meses, a Vale e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltaram a negociar a entrada da instituição financeira no projeto de construção de uma usina siderúrgica do Ceará. Segundo fonte próxima ao negócio, representantes da mineradora brasileira já estiveram na sede do banco para discutir o tema. Ontem, a Vale e a coreana Dongkuk assinaram um memorando de entendimento com o governo do Ceará para definir o Complexo Industrial e Portuário de Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante, como o local de instalação da Companhia Siderúrgica do Pecém.No comunicado, a mineradora brasileira informou que o projeto, orçado em US$ 4 bilhões, nasce com capacidade para produzir anualmente de 3 milhões a 6 milhões de toneladas de aço para exportação. A Vale calcula a criação de mais de 4 mil empregos diretos na fase inicial do empreendimento. Além de produtos siderúrgicos, a usina também vai produzir energia elétrica para comercialização no mercado brasileiro. No mercado financeiro, o comentário era que, no passado, o BNDES negociou uma participação também minoritária no projeto. Pela estrutura atual, a Vale deteria 20%, enquanto o controle majoritário ficaria nas mãos da coreana Dongkuk. A tentativa da Vale de instalar uma usina no Ceará se arrasta desde 2005, ano em que a mineradora começou a acertar com as siderúrgicas italiana Danieli e com a sul-coreana Dongkuk a construção da Ceará Steel. O projeto, no entanto, sofreu diversos percalços. O primeiro deles foi a desistência, cerca de dois anos depois, do grupo italiano do projeto. Ainda em 2007, a Vale se viu obrigada a refazer a rota tecnológica do empreendimento, que seria abastecido com gás natural subsidiado. Uma queda de braço entre a mineradora e Petrobrás - que se negou a fornecer gás a preço subsidiado à planta de produção de aço - levou a Vale a modificar a fonte de energia do projeto, que passou a utilizar o carvão como matéria-prima. Com o redesenho, a unidade, orçada em US$ 800 milhões, teve seu custo ampliado para cerca de US$ 2 bilhões. Diante das dificuldades, o aporte na Ceará Steel foi cancelado. A nova tentativa foi intitulada de Companhia Siderúrgica de Pecém. Além do projeto do Ceará, a Vale tem em seu portfólio mais dois projetos de construção de unidades siderúrgicas no País: a ThyssenKrupp CSA, no Rio de Janeiro, e a Aços Laminados do Pará. A primeira terá capacidade para produção anual de 5 milhões de toneladas de placas de aço. O projeto engloba ainda porto, coqueria e térmica. O início das operações está previsto para final 2009 ou início 2010. A segunda unidade será em Marabá, no Pará, e deve produzir 2,5 milhões de toneladas de aço.

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