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Vale e Petrobrás fecham acordo para produção de potássio

Empresas formalizaram acordo prevendo que a Vale explorará por mais 30 anos uma área da Petrobrás em Sergipe

ÂNGELA LACERDA, ROSÁRIO DO CATETE (SE), O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h04

Um contrato para exploração de potássio em Sergipe, assinado ontem pelas empresas Vale e Petrobrás, no município Rosário do Catete, a 37 km de Aracaju, com investimentos previstos de US$ 4 bilhões, foi comemorado pela presidente Dilma Rousseff como "um acordo virtuoso".

Fruto de negociações que se arrastaram por cerca de cinco anos, o contrato, válido por 30 anos e que havia sido acertado em fevereiro, vai tornar realidade o Projeto Carnalita, que prevê a produção de potássio com o uso desse mineral. A expectativa é que o projeto adicione um volume anual de 1,2 milhão de toneladas à produção de potássio em Sergipe, permitindo ao País uma economia de US$ 17 bilhões em divisas ao longo de 30 anos. Hoje, o País importa 70% dos fertilizantes e 90% do potássio - uma das matérias-primas dos fertilizantes - que usa.

A Petrobrás é detentora legal da jazida de carnalita e a Vale vai explorar o minério. Atualmente, a Vale já explora em Sergipe minas de silvinita, que devem estar exauridas até 2015. A produção do potássio com base na carnalita deve ter início em 2016. Com o acordo, Sergipe se consolida como o maior produtor de fertilizantes do País.

"Somos importadores, dependentes de fertilizantes, mas não devíamos, porque somos um país com recursos naturais diversificados", destacou a presidente em seu discurso, quando disse que os dois desafios do século 21 são energia e alimentos. "Este é um momento estratégico para o País, porque o fertilizante é crucial para a segurança alimentar."

Segundo Dilma, o Brasil vem conquistando sua autossuficiência em petróleo e descobriu o pré-sal. "Hoje, somos grande potência energética e vamos nos tornar exportadores", afirmou. "O petróleo é essencial porque ainda será por algumas décadas a grande energia que movimentará as economias". Em relação aos alimentos, ela destacou que o Brasil é "um dos maiores do mundo em capacidade de produção de alimento por hectare".

A presidente disse ainda ser importante que o Brasil seja hoje a sexta nação do mundo do ponto de vista da economia. "Mas o que queremos é que o Brasil seja a sexta sociedade em condições de vida da população brasileira. Isso significa trabalho decente, acesso à educação de qualidade."

Estiveram presentes à solenidade os ministros do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, do Planejamento, Miriam Belchior, e das Minas e Energia, Edson Lobão, além dos presidentes da Petrobrás, Maria das Graças Foster, e da Vale, Murilo Ferreira. O governador de Sergipe, Marcelo Deda, apontado como um dos responsáveis pelo fechamento do acordo, comemorou: "É um investimento equivalente a duas montadoras".

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