Vale e Petrobras garantem alta de 0,48% à Bovespa

Mesmo com queda nas bolsas norte-americanas, mercado doméstico consegue fechar em alta antes do feriado

Claudia Violante, da Agência Estado,

10 de junho de 2009 | 17h33

A queda das bolsas norte-americanas influenciou diretamente o comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quarta-feira, 10. Mas o principal índice acionário doméstico escapou da queda graças aos ganhos das blue chips. O giro financeiro também foi mais forte do que nas duas sessões anteriores, uma vez que não haverá pregão nesta quinta em decorrência do feriado e muitos investidores anteciparam operações.

 

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A Bovespa terminou a sessão em alta de 0,48%, aos 53.410,93 pontos. Na mínima do dia, registrou 52.819 pontos (-0,64%) e, na máxima, os 54.048 pontos (+1,68%). No mês, acumula alta de 0,40% e, no ano, de 42.24%. O giro financeiro totalizou R$ 4,879 bilhões. Os dados são preliminares.

 

A bolsa doméstica abriu em alta, embalada pelas notícias da China e da Vale. O jornal em língua chinesa Ming Pao Daily informou nesta quarta-feira que a produção industrial chinesa teria crescido 8,9% em maio ante maio do ano passado. O dado oficial só sai na sexta-feira e a previsão dos economistas é de uma elevação de 7,8%. Por isso a notícia, se confirmada, indica que o pior da crise também teria ficado para trás na China, que é um dos principais responsáveis por compras de matérias-primas do mundo.

 

O dado não-oficial da produção industrial chinesa impulsionou a alta dos preços das commodities metálicas que, no entanto, não sustentaram, na sua maioria, os ganhos até o final.

 

Vale, no entanto, seguiu em elevação, com a notícia de que fechou os primeiros acordos para fornecimento de minério de ferro e pelotas para 2009, com a Nippon Steel Corporation e a Posco. Conforme a mineradora, o preço de referência para o minério de ferro fino foi reduzido em 28,2% e, para o granulado, o desconto ficou em 44,47% em relação aos preços de 2008. Vale ON terminou em alta de 0,89% e Vale PNA, 1,12%.

 

Petrobras teve um estímulo a mais que Vale para subir, já que o petróleo conseguiu fechar em alta no exterior. Na Nymex, o contrato para julho avançou 1,89%, a US$ 71,33, puxado pela queda dos estoques nos Estados Unidos e também pelo noticiário sinalizando reaquecimento da atividade chinesa. O Departamento de Energia informou que os estoques caíram 4,382 milhões na semana passada, acima das previsões, que limitavam-se a 700 mil barris. Petrobras ON avançou 0,83% e PN, 1,10%.

 

Favorável às ações brasileiras, a alta das commodities, no entanto, levantou uma preocupação com a inflação nos Estados Unidos, o que acabou pesando sobre os índices acionários. O Livro Bege, sumário das condições econômicas, divulgado no meio da tarde, também influenciou. Segundo o documento, a economia norte-americana ainda está debilitada. O Dow Jones terminou o pregão em baixa de 0,27%, aos 8.739,02 pontos, o S&P perdeu 0,35%, aos 939,15 pontos, e o Nasdaq, 0,38%, aos 1.853,08 pontos.

 

Segundo José Góes, economista da WinTrade, a decisão do Copom, que será divulgada ainda hoje, não deve fazer preço nas ações na próxima sexta-feira, quando deve ter muito mais influência o comportamento das bolsas internacionais na sessão de amanhã. "Isso, claro, se a decisão do BC não trouxer nenhuma surpresa", comentou. A aposta majoritária do mercado é de redução de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros, para 9,5% ao ano. "A Bolsa já precificou esta redução", destacou.

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