Dario Oliveira/ Estadão
Dario Oliveira/ Estadão

Preço do petróleo cai ao menor nível em um ano e derruba valor da Petrobrás

Com os temores de desaquecimento da economia global e uma sobreoferta do produto, petróleo já acumula queda de mais de 30% desde meados de outubro, afetando o valor da Petrobrás na Bolsa, que caiu R$ 49 bilhões desde o último dia 30

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2018 | 12h37
Atualizado 24 Novembro 2018 | 14h08

RIO - O preço do petróleo no mercado internacional voltou a despencar, atingindo o menor patamar desde outubro do ano passado, por conta das preocupações com o desaquecimento da economia global e de uma oferta do produto maior que a demanda. No Brasil, o preço do petróleo em queda atinge diretamente as ações da Petrobrás, e esse é um dos principais fatores que levaram a estatal a perder R$ 49 bilhões em valor de mercado desde o último dia 30.

A Petrobrás terminou o mês passado valendo R$ 384 bilhões e está cotada hoje em R$ 335 bilhões. Em menos de um mês, as ações caíram quase 13%. No pregão de sexta-feira, 23, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) caíram 2,34%, cotadas a R$ 26,69, enquanto as preferenciais (PN, sem direito a voto) recuaram 3,10%, fechando em R$ 24,37.

“As ações da Petrobrás estão muito coladas ao preço do petróleo. É claro que também pesa a incerteza no cenário econômico global, a guerra entre os EUA e a China. Mas o principal fator de desvalorização é mesmo a commodity”, disse Pedro Galdi, analista da Mirae Corretora.

Apesar disso, as ações da Petrobrás têm caído menos que o preço do petróleo, que acumula uma queda de mais de 30% desde meados de outubro. Na sexta, o petróleo tipo Brent, negociado em Londres, caiu 6,07%, fechando cotado a US$ 58,80 o barril. Em outubro, havia chegado a US$ 86. Já o petróleo WTI, negociado em Nova York, recuou 7,70%, cotado a US$ 50,42.

“Ainda que a queda do preço do petróleo tenha começado em outubro, as ações da Petrobrás não refletiam a conjuntura internacional porque o mercado estava valorizando a continuidade dos ajustes financeiros na estatal, com a perspectiva de vitória de Jair Bolsonaro. Passada a eleição, há um efeito muito forte que vem de fora. A commodity está caindo com a expectativa de que a economia mundial está perdendo força”, avaliou o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Caparoz.

Essas projeções de desaquecimento da economia global, além das ameaças dos efeitos de uma guerra comercial entre China e EUA, claro, não afetam apenas o setor de petróleo. As bolsas de valores globais vêm apresentando quedas nas últimas semanas, com um grande temor dos investidores. Em Nova York, o índice Dow Jones fechou a semana em queda de 4,44%. Já a Nasdaq, que concentra as ações das empresas de tecnologia, recuou 3,73% na semana, com desempenhos ruins de empresas como Facebook, Apple, Alphabet (controladora do Google) e Netflix, por exemplo.

No Brasil, o índice Ibovespa recuou 2,58% na semana. Na sexta-feira, a queda foi de 1,43%. A ação que mais caiu (-6,83%) foi a da Vale – que, não por coincidência, tem na China o seu maior cliente. / COLABORARAM RENATO CARVALHO e PAULA DIAS

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