Vale e Xstrata mantêm diálogo para aquisição

Presidente da empresa vem ao Brasil, mas não há acordo

Mônica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2008 | 00h00

Nem a vinda ao Brasil dos presidentes da Glencore, Ivan Glasenberg, e da Xstrata, Mick Davis, facilitou as negociações da Vale para a compra da mineradora anglo-suíça. Depois de longas reuniões, os executivos das três companhias não conseguiram aparar todas as arestas.Com isso, Glasenberg e Davis deixaram o país sem levar na bagagem nenhum acordo fechado. Mas, segundo fontes, as negociações continuam e a Glencore já se mostra um pouco menos "gulosa" em suas reivindicações.Mesmo convalescendo de uma fratura no pé, o presidente da Vale, Roger Agnelli, fez questão de comandar pessoalmente os encontros. Durante toda a semana, o mercado financeiro especulou sobre o desfecho da maior oferta de compra já feita por uma empresa brasileira. O negócio, estimado entre US$ 80 bilhões e US$ 90 bilhões, levaria a Vale para a liderança do ranking mundial das mineradoras, ultrapassando a gigante BHP Billiton, que só voltaria a ser líder se obtiver sucesso na tentativa que encampa agora de assumir o controle da Rio Tinto.Os rumores de que a mineradora brasileira e a Glencore, principal acionista da Xstrata, teriam chegado a um acordo fizeram as ações ordinárias da companhia brasileira subirem mais de 2% na última sexta-feira, na contramão do índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que amargou perda de 0,46%.Segundo fontes, os entraves à compra não se limitam ao preço. A Glencore, uma tradicional trading, estaria lutando para conseguir obter na operação um aval da Vale para comandar a comercialização de parte de seus produtos. A proposta é vista com reservas pela diretoria da empresa brasileira, que reluta, principalmente, em abrir mão dos direitos de negociar o preço dos contratos de minério de ferro.Este mês, Agnelli quebrou pela primeira vez o silêncio e falou sobre as dificuldades que rondam a operação. Na época, o executivo foi enfático ao descartar qualquer possibilidade da empresa transferir para um intermediário, no caso a Glencore, a comercialização do minério de ferro, sua principal fonte de receita.

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