Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Vale encerra o ano com a venda de US$ 4,4 bi em ativos

Em três anos, desinvestimento atingiu US$ 12 bilhões e, segundo presidente da mineradora, vai continuar

MARIANA DURÃO , MÔNICA CIARELLI / RIO , O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2014 | 02h05

A Vale encerrou o ano com a venda de US$ 4,4 bilhões em ativos fechada e a perspectiva de seguir com seu programa de desinvestimentos. É uma forma de reforçar o caixa diante de um cenário classificado de difícil pelo presidente da mineradora, Murilo Ferreira, em 2015 e 2016.

O executivo negou ter sido convidado para assumir o lugar de Graça Foster no comando da Petrobrás. "Não fui sondado, indicado ou convidado para a Petrobrás", afirmou Ferreira durante almoço com jornalistas no Rio de Janeiro. Não é a primeira vez que surgem rumores de que ele deixaria a empresa. O executivo foi cotado para o ministério da Fazenda após a reeleição de Dilma Rousseff.

À frente da companhia desde 2011, Ferreira destacou o "tamanho do desafio" que a Vale enfrenta hoje. Atualmente a empresa desenvolve o megaprojeto de minério de ferro Serra Sul, em Carajás, orçado em cerca de US$ 17 bilhões. Além disso, lida com a queda no preço da commodity, que saiu de US$ 135 por tonelada no fim de 2013 para US$ 68, o menor patamar em cinco anos. Ele previu um cenário difícil para o setor e a economia global nos próximos dois anos.

Os desinvestimentos acordados pela Vale em 2014 ficaram US$ 1,6 bilhão abaixo dos US$ 6 bilhões fechados no ano anterior. Parte dos recursos entrará no caixa ao longo de 2015. O principal negócio fechado foi a venda das operações de carvão e logística em Moçambique para a japonesa Mitsui. Anunciado na semana passada, o negócio deverá liberar US$ 3,7 bilhões do caixa da Vale, entre valores pagos pelas participações e o capital que deixará de investir na mina de Moatize e no corredor logístico Nacala.

Completam a conta de desinvestimentos US$ 600 milhões obtidos com a venda de navios Valemax, US$ 90 milhões pela transferência do fundo Vale Florestar à Suzano e US$ 42 milhões da participação de 44,25% na Fosbrasil.

Nos últimos três anos, a Vale levantou quase US$ 12 bilhões ao se desfazer de operações e seguirá firme na política de venda de ativos não estratégicos. Na linha de frente agora está a negociação de 15 navios mineraleiros Valemax, que nas contas do diretor executivo de Finanças, Luciano Siani, poderão render entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. O modelo adotado será o mesmo acordado com a chinesa Cosco, para quem a Vale transferiu recentemente quatro navios, tendo como contrapartida seu arrendamento por 25 anos. "O importante é garantir benefícios em termos de frete e ter o navio disponível por longo prazo a um custo baixo", disse Siani.

Outras operações possíveis para levantar recursos em 2015 são a alienação da fatia da empresa na produtora de bauxita Mineração Rio do Norte (MRN) e a reorganização estratégica dos ativos de fertilizantes, em que a Vale busca um parceiro internacional.

Ao longo do ano que vem, a mineradora vai também estruturar a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua divisão de metais básicos, o que deve levar de oito a nove meses. A ordem é deixar tudo pronto, mas Ferreira diz que a companhia só fará a operação caso o mercado não reconheça o real valor dos ativos de níquel e cobre. "Não estamos atrás de recursos", afirmou. O valor do IPO está estimado entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões.

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