Vale entra no consórcio de Belo Monte

Mas, em fato relevante, mineradora alerta que sua participação ainda está 'sujeita ao cumprimento de determinadas condições'

Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

A Vale assumirá R$ 2,3 bilhões da obra da hidrelétrica de Belo Monte. Além da participação no financiamento da obra, a mineradora irá aportar diretamente entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões para substituir a Gaia Energia, do grupo Bertin, no consórcio Norte Energia. A participação acionária no grupo será de 9%.

No fato relevante distribuído ao mercado no final da tarde de ontem, a mineradora alerta que sua participação ainda está "sujeita ao cumprimento de determinadas condições".

O comunicado foi assinado pelo presidente da empresa, Roger Agnelli, que deixa o cargo no próximo mês, depois de uma longa negociação entre os acionistas da Vale, encabeçada pela Previ, fundo de previdência do Banco do Brasil, e Bradesco.

A participação em Belo Monte, uma das principais obras do Programa de Aceleração do Investimento (PAC), foi uma das últimas negociações conduzidas por Agnelli. O acordo anunciado ontem, foi fechado por ele no fim do mês passado, ainda em meio à polêmica sobre sua permanência ou não no cargo, como antecipou o Estado.

O diretor de Executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, negou que a decisão da empresa de entrar no projeto para a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), tenha como pano de fundo questões políticas. "Pelo lado que for analisado, estamos tranquilos em dizer que essa é uma decisão econômica, que não tem nenhum aspecto político envolvido", disse.

Ele lembrou que a Vale já estuda participar do projeto há mais de um ano e meio e argumentou que a mineradora chegou até a participar do leilão de Belo Monte pelo consórcio perdedor.

O diretor conta que, com as dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo Bertin, a Vale teve a oportunidade de voltar a analisar o projeto e decidiu participar. Além disso, enfatizou, a entrada em Belo Monte vai ao encontro da estratégia da companhia de ampliar investimentos em autogeração de energia.

Histórico. "Nossa entrada no setor não é nova, não é recente. É só olhar os históricos: temos quase 10 usinas hidrelétricas das quais participamos", afirmou. Além disso, "o projeto também permite que a companhia limpe sua matriz energética e oferece uma rentabilidade dentro dos limites estabelecidos pelos nossos acionistas", disse.

A expectativa é de que 75% do projeto sejam financiados e que o orçamento da obra fique em R$ 25,8 bilhões, destacou Martins, ontem, logo depois de a mineradora formalizar sua entrada no consórcio. A Vale pagou à Gaia menos de R$ 5 milhões, referente apenas às despesas correntes feitas pela antecessora no consórcio. Com a entrada em Belo Monte, a Vale pretende elevar dos atuais 45% para 63% a geração de energia da mineradora para consumo próprio.

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