Vale formaliza projeto de siderúrgica no ES na 2ª feira

A Vale entrega na próxima segunda-feira ao governo do Espírito Santo o termo de referência do projeto de construção da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), documento que serve de base para a solicitação de licenças ambientais e também de operação da usina. A informação foi dada hoje pelo diretor executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, que fez um detalhamento do projeto ao governo do Estado.

MÔNICA CIARELLI, Agencia Estado

28 de agosto de 2009 | 19h35

A usina foi projetada para ter capacidade de produzir 5 milhões de toneladas de placas de aço por ano. A expectativa é de que esteja pronta para operar em meados de 2014. O executivo ressaltou que a usina somente sairá do papel se houver uma aprovação da sociedade e que a companhia não pretende pular nenhuma das etapas. "O projeto siderúrgico tem um timing. Não adianta querer atropelar porque se você atropelar daqui a pouco irá enfrentar problemas. Vão cassar as licenças", afirmou.

Segundo ele, a intenção de debater com a sociedade é a grande diferença entre o projeto atual e o apresentado no passado, quando a Vale ainda tinha a chinesa Baosteel como sócia, e que sofreu críticas de órgão ligadas à proteção do meio ambiente. As dificuldades na obtenção de licenças e também na escolha de um local para a obra acabaram por levar a siderúrgica chinesa a desistir do projeto.

"Nem uma decisão lá de cima, do presidente, vai fazer o projeto ir para frente se a sociedade não estiver convencida. A sociedade tem instrumentos constitucionais para agir", afirmou. Recentemente, a Vale foi alvo de críticas do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pela redução de seus investimentos programados para este ano e também por demitir quase 2 mil pessoas para se ajustar ao cenário de menor demanda por minério de ferro com a crise mundial.

O diretor lembrou que projetos siderúrgicos são relevantes para a sociedade por criar empregos. Entretanto, destacou que esse não pode ser o único aspecto quando se pensa na instalação de um projeto. Além da geração de empregos, explicou, é preciso também conciliar as preocupações da sociedade com a parte social e com a preservação do meio ambiente.

"Embora para uma pessoa em uma região remota, a primeira necessidade dela seja um emprego, quando a sociedade se desenvolve, há também uma preocupação com o meio ambiente. Não podemos fazer um projeto exclusivo. Temos que contemplar todos, desde aqueles que querem um empreendimento que gere emprego até aquele que quer um projeto ambientalmente saudável", disse.

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