Vale inaugura usina para produção de óleo de palma no Pará

A Vale deu início ontem ao seu programa de biodiesel ao inaugurar uma usina de produção de óleo de palma (dendê), no município de Moju, no Pará. O projeto da mineradora prevê ainda a construção de uma segunda unidade desse tipo em Acará, e uma planta para transformar o óleo de palma em biodiesel a partir de 2015. O investimento total previsto pela Vale no projeto tocado pela Biopalma, empresa na qual é sócia do Grupo MSP, é de US$ 500 milhões.

GLAUBER GONÇALVES, ENVIADO ESPECIAL / MOJU (PA), O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h09

O objetivo da mineradora é suprir sua demanda por esse combustível renovável para a utilização do chamado B20, composição de 20% de biodiesel com 80% de diesel comum, em sua frota de locomotivas, máquinas e equipamentos no País. A primeira usina terá capacidade de extração de 120 toneladas/hora de cachos de fruto fresco. Quando estiver instalada a segunda unidade, que, segundo a Vale, será a maior do mundo nesse segmento, o número deve subir para 680 toneladas/hora.

A utilização do biocombustível é um meio encontrado pela Vale para atingir sua meta de reduzir em 5% suas emissões de dióxido de carbono (CO2), que hoje giram em torno de 12 milhões de toneladas por ano, até 2020. "Temos o objetivo de atingir 5% de economia sobre o nível de emissões", disse o presidente da Vale, Murilo Ferreira, acrescentando que essa meta considera as expansões previstas nas atividades.

Óleo e gás. Ferreira ressaltou que o foco da companhia não é energia e que apenas entrará em empreendimentos desse tipo para garantir a execução de sua atividade principal, a mineração. Recentemente, a Vale anunciou a intenção de vender alguns de seus ativos de óleo e gás, mas, ontem, a diretora executiva de Sustentabilidade, Recursos Humanos e Energia da empresa, Vânia Somavilla, revelou que a companhia pode acabar mantendo parte de suas reservas de gás.

"No nosso portfólio, temos projetos de gás e petróleo. Estamos revisitando isso de forma que permaneça a nossa estratégia de manter apenas investimentos na área de gás", disse.

Segundo Vânia, a intenção da empresa é permanecer em alguns ativos de gás como investidora para evitar riscos ao seu abastecimento energético. Ferreira afirmou que a decisão sobre o destino dos ativos de óleo e gás será tomada no "momento adequado", sem dar detalhes.

Além dos ativos de óleo e gás no Brasil, a Vale também tem investimentos neste segmento na Argentina. A mineradora admitiu que está preocupada com o processo de estatização da petrolífera YPF pelo governo argentino, antes comandada pela espanhola Repsol. A Vale explora gás na formação de Las Lajas, no país vizinho, por meio de uma joint venture com a YPF.

"Estamos um pouco preocupados com a questão da estatização da YPF", disse o diretor global de Energia da Vale, João Coral. O executivo ressaltou, no entanto, que as operações da joint venture continuam normalmente, apesar do movimento do governo argentino.

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