REUTERS/Ricardo Moraes
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Vale interrompe entre 80% e 90% da produção em Brucutu, diz prefeito

Paralisação acontece por ordem judicial e foi confirmada pelo presidente do Sindicato Metabase de Mariana

Rodrigo Petry, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2019 | 15h08
Atualizado 04 de fevereiro de 2019 | 16h14

A Vale confirmou que teve conhecimento da decisão proferida pela 22ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, movida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, que determinou, dentre outras providências, que a empresa se abstenha de lançar rejeitos ou praticar qualquer atividade potencialmente capaz de aumentar os riscos das barragens Laranjeiras, Menezes II, Capitão do Mato, Dique B, Taquaras, Forquilha I, Forquilha II e Forquilha III.

"As estruturas convencionais têm propósito exclusivo de contenção de sedimentos e não de disposição de rejeitos, à exceção da barragem de Laranjeiras. Todas as barragens estão devidamente licenciadas e possuem seus respectivos atestados de estabilidade vigentes", afirma a mineradora.

A Vale entende, assim, que não existe fundamento técnico ou avaliação de risco que justifique uma decisão para suspender a operação de qualquer dessas barragens. A empresa estima que o impacto estimado da paralisação temporária da barragem de Laranjeiras na mina de Brucutu (complexo de Minas Centrais) é de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

A Vale afirma que adotará as medidas judiciais cabíveis quanto à referida decisão, e reitera que todas as medidas emergenciais necessárias ao auxílio das vítimas e à mitigação dos impactos decorrentes do rompimento da Barragem I da Mina do Córrego de Feijão estão sendo devidamente adotadas.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informa que dentre as barragens abrangidas pela ordem judicial, as três nas quais se utilizou a metodologia de alteamento à montante, as barragens Forquilha I, Forquilha II e Forquilha III, já estavam inoperantes e abrangidas pelo plano de descomissionamento acelerado anunciado no último dia 29. As demais estruturas são convencionais.

Mais cedo, o prefeito da cidade mineira de São Gonçalo do Rio Abaixo, Antônio Carlos Noronha Bicalho, disse ao Estadão/Broadcast que entre 80% e 90% da produção da Mina de Brucutu, localizada no município, haviam tido suas atividades paralisadas por ordem judicial. Segundo ele, a Vale informou sobre a parada das operações no último sábado, 2. "Apenas produção de (minérios) finos segue normal", afirmou.

O presidente do Sindicato Metabase de Mariana, Ângelo Eleutério, que representa os trabalhadores da mina Brucutu, também confirmou a informação, acrescentando que inicialmente essa paralisação não estava prevista dentro do plano de descomissionamento anunciado na semana passada. Segundo Eleutério, a direção da Vale informou ao sindicalista que está recorrendo da decisão judicial.

Segundo um comunicado à imprensa da Vale, de 7 de outubro de 2016, a capacidade produtiva da unidade da mina de Brucutu gira em torno de 30 milhões de toneladas. "A unidade continua sendo a maior mina de ferro de Minas Gerais em produção e a segunda maior do País, atrás apenas de Carajás, no Pará", afirmou a empresa na ocasião.

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