Vale/Divulgação
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Vale vai investir mais de R$ 200 milhões para automatizar operações em 2022

Companhia comprou mais 14 equipamentos autônomos para sua frota, elevando o total para 86 maquinários; objetivo é reduzir exposição de funcionários a riscos operacionais

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2022 | 15h00

Rio - A Vale vai investir US$ 45 milhões (cerca de R$ 210 milhões) neste ano para acelerar seu programa de automatização de operações. A mineradora vai colocar em operação novos caminhõese maquinários que se movimentam de forma autônoma, sem a presença de operadores nas cabines, com uso de inteligência artificial, GPS e computador. Serão mais 14 equipamentos do tipo até o fim do ano, elevando para 86 o tamanho da frota.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o gerente do Programa Autônomos da Vale, Pedro Bemfica, explica que os investimentos na tecnologia reduzem significativamente os riscos a que os empregados estão expostos na área operacional, além de dar mais estabilidade à operação e gerar ganhos de eficiência. Desde 2016, a Vale investiu cerca de US$ 124 milhões (cerca de R$ 580 milhões) no projeto de autônomos.

Nesta semana, a Vale colocou em operação o pátio autônomo no terminal portuário de Ilha Guaíba, no município de Mangaratiba, região metropolitana do Rio. Bemfica explica que o terminal conta com recuperadoras e empilhadeiras, que movimentam 8 mil toneladas de minério por hora cada uma. Esses equipamentos eram operados a partir da cabine, localizadas a até 40 metros de altura. Agora, as máquinas são operadas a partir de um centro de controle.

“Não é uma teleoperação, em que o operador fica numa cabine longe do equipamento operando por joystick a partir de uma tela. Na verdade, a própria máquina executa o empilhamento, por meio de algoritmos. Os operadores ainda programam como as pilhas de minério precisam ser montadas para melhorar a logística, mas a execução é da máquina”, explica Bemfica, acrescentando que a rápida tomada de decisões dos robôs reduzem em 10% o tempo de embarque. 

Caminhões gigantes

Os primeiros equipamentos autônomos a entrar em operação, em 2018, foram os caminhões fora de estrada, equipamentos gigantescos, com capacidade para mais de 300 toneladas, que rodam em minas como Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), e Carajás, no Pará. Hoje são 24 caminhões fora de estrada e 18 perfuratrizes (brocas que cavam os minérios) autônomos em operação na mineradora, além de 30 máquinas de pátio em São Luís, Carajás e Mangaratiba.

Com o avanço dos autônomos, cerca de 300 empregados deixaram de atuar em áreas sujeitas aos riscos da operação, como as cavas das minas e os pátios de estocagem em Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Segundo a empresa, o processo foi acompanhado de um plano de qualificação dos empregados para atuarem com as novas tecnologias, seja em novas funções (como projetistas de pistas de caminhões) ou nas mesmas funções, interagindo com os veículos autônomos.

A tecnologia também contribui para atingir metas ambientais. Em Itabira (MG), as perfuratrizes autônomas apresentaram redução de 7,3% de combustível em comparação às tripuladas, reduzindo as emissões em 2.966 toneladas de gás CO2. Para absorver essa quantidade de emissões seria necessária uma área de 22 mil metros quadrados de florestas. Nos caminhões de Brucutu, em Minas Gerais, os pneus tiveram um acréscimo de 25% na sua vida útil, por exemplo.

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