Vale leva ferrovia e investe em aço

A Companhia Vale do Rio Doce demorou pouco menos de cinco minutos para arrematar os 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, entre Açailândia, no Maranhão, e Palmas, no Tocantins. Sem concorrentes, a mineradora ofereceu o preço mínimo, de R$ 1,478 bilhão, e levou o maior empreendimento ferroviário concedido no País desde a década de 90.Agora, a Vale passa a deter a concessão de quatro ferrovias: a Centro-Atlântica, Estrada de Ferro Carajás, Estrada de Ferro Vitória-Minas e Norte-Sul. Com isso, contará com 9.890 quilômetros, considerando a Norte-Sul construída até Palmas (TO). Até 2006, as ferrovias da mineradora transportavam 239 milhões de toneladas de produtos, como minério, soja e farelo, produtos siderúrgicos e combustíveis.Na Norte-Sul, a expectativa é de que o volume transportado atinja 8,8 milhões de toneladas em 2013, afirma o diretor de Logística da companhia, Eduardo Bartolomeo. Segundo ele, neste ano a ferrovia, que já opera entre Porto Franco e Açailândia, deve movimentar 1,7 milhão de toneladas de grãos, a maioria soja.Para conseguir atender à demanda projetada, a Vale pretende investir R$ 416 milhões. Desse total, R$ 66 milhões serão gastos em infra-estrutura, como sinalização, oficinas e postos de abastecimento, entre 2007 e 2010. O restante será usado na compra de 45 locomotivas e 550 vagões. Hoje a Vale já opera a estrada de ferro com 450 vagões.Segundo Bartolomeo, por enquanto, a companhia não pensa em colocar trens de passageiros nos trilhos da Norte-Sul. Ele explicou que isso poderá ocorrer futuramente, mas dependerá de autorização da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT).Ele disse esperar que a Valec entregue as obras dentro do cronograma. A ferrovia está pronta no trecho entre Açailândia (MA) e Araguaína (TO). A previsão é que as obras até Palmas sejam concluídas até 2009.O presidente da Valec, José Francisco das Neves, garante que o cronograma será cumprido. ''''Só estava faltando o dinheiro. Agora já temos'''', disse. As obras continuam nas mãos da Valec, que usará o dinheiro do leilão na construção.Sobre a falta de concorrentes na subconcessão, o diretor disse que o processo estava aberto e a ferrovia está alinhada com as estratégias da empresa. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não viu problemas no fato de o leilão ter tido apenas um concorrente. ''''Por que seria ponto de interrogação? Seria ruim se estivesse vazio.''''Além da Norte-Sul, a Vale anunciou uma parceria com o grupo chinês Baosteel para a construção de uma siderúrgica no Espírito Santo, que terá capacidade de produzir 5 milhões de toneladas anuais. O investimento previsto é da ordem de US$ 5 bilhões. As duas empresas procuram um terceiro sócio para o empreendimento.

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

04 de outubro de 2007 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.