Vale: mercado não espera resgate expressivo

Os administradores de recursos não esperam resgate expressivo nos fundos de ações da Companhia Vale do Rio Doce formados por dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A partir de segunda-feira, dia 30, os investidores que usaram o FGTS para comprar papéis da empresa na oferta do governo federal, realizada em março, já podem mexer na aplicação sem perder o desconto de 5%. A carência foi de seis meses.Os trabalhadores que aplicaram o FGTS nas ações da Vale podem continuar nos mesmos fundos, migrar para carteiras FGTS-Petrobrás (criadas para a oferta pública de ações da estatal petrolífera) ou ir para os fundos FGTS Carteira Livre (que aplicam parte do patrimônio em ações e parte em renda fixa).O investidor não pode fazer saque em dinheiro, salvo nos casos previstos na lei sobre o FGTS, como em demissão sem justa causa, doença grave, compra da casa própria etc. Para voltar à conta FGTS, com correção pela TR mais 3%, o investidor da Vale terá de esperar mais seis meses, até 27 de março de 2003.O diretor de Gestão de Recursos de Terceiros da Caixa Econômica Federal (CEF), Marcelo Bonini, acredita que os investidores vão optar por continuar com as ações - assim como aconteceu com a Petrobras - devido à alta rentabilidade.Fundos acumulam alta de 64%Os fundos acumulam valorização em seis meses de 64% sobre o preço do leilão, enquanto a conta FGTS rendeu apenas 3% no período. Os fundos de Petrobras acumulam ganho de 30% até quinta-feira, mas já chegaram a subir 100%. "Os trabalhadores gostam de aplicar em empresas fortes, e a Vale e a Petrobras são nomes muito importantes", disse Bonini. A CEF não vai criar carteiras livres para receber o dinheiro que porventura saia de Vale. "Montamos fundos no fim da carência da Petrobras e a procura foi muito pequena."O superintendente de Fundos de Investimento do Itaú, Moacyr Castanho, observou que os investidores que migrarem dos fundos da Vale para outros ativos terão de cumprir nova carência de seis meses para movimentar a aplicação. Assim, eles não poderiam participar oferta pública do Banco do Brasil, que o governo pretende realizar em novembro. Castanho disse que os trabalhadores devem analisar as opções de investimento, mas sem a preocupação de tomar uma decisão imediata.Ações ainda apresentam potencial de altaAs ações da Vale subiram expressivamente em 2002 porque a companhia é uma grande exportadora, com a receita atrelada ao dólar. Apesar da valorização, a analista Cristiane Viana, da BES Securities, acredita que os papéis ainda têm potencial de alta. "A Vale continua sendo um investimento interessante, principalmente neste período de volatilidade." A empresa tem de 80% a 85% da receita líquida ligada ao dólar, contra apenas 30% dos custos.Além de ser uma empresa defensiva durante a alta do dólar, a Vale não sofre com o risco político, como a Petrobrás. "Os discursos dos candidatos à Presidência da República contra os reajustes de preço da gasolina vêm prejudicando os papéis da Petrobrás", disse o analista José Cataldo, da Sudameris Corretora. A empresa terá as margens reduzidas se não conseguir repassar a alta da moeda-norte-americana e o aumento do petróleo aos preços dos produtos vendidos.As ações da Petrobrás despencaram hoje na Bovespa. As preferenciais caíram 9,35% e as ordinárias, 8,76%. Os papéis também foram afetados, segundo Cataldo, pelos rumores de que a estatal poderia postergar a compra da Perez Companc (PeCom). A companhia argentina estaria com dificuldades de renegociar sua dívida, que é um ponto essencial para a aquisição da empresa pela Petrobrás.

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