Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Vale mostra confiança na recuperação da produção, mas questões climáticas e ambientais preocupam

Mineradora, que teve lucro de US$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, destacou a analistas do mercado o aumento das vendas para a China

Mariana Durão e Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2020 | 16h19

RIO e SÃO PAULO - A Vale procurou reforçar ao mercado que está no caminho certo para estabilizar sua produção de minério de ferro e que a diferença entre produção e vendas vista no terceiro trimestre já ficou para trás. A expectativa da mineradora é manter no quarto trimestre o ritmo forte de produção registrado de julho a setembro, mas riscos de atraso na concessão de licenças e climáticos seguem no radar.

A produção da Vale foi atingida em cheio pela paralisação de operações em decorrência do rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, e sua retomada se transformou em um dos maiores desafios da gestão de Eduardo Bartolomeo. O presidente da Vale afirmou nesta quinta-feira, 29, a analistas de mercado estar seguro de alcançar as 400 milhões de toneladas de produção em 2022. Antes da tragédia, a previsão era chegar a essa capacidade três anos antes, em 2019.

Atualmente a Vale está produzindo “na casa de 1 milhão de toneladas de minério por dia”, disse o diretor executivo de Ferrosos da Vale, Marcelo Spinelli. Ele mantém a previsão de que a empresa atingirá o piso da meta de produção de 2020, de 310 milhões de toneladas, mas destacou que a margem de erro para isso é praticamente zero.

“É importante dizer que a essa altura do ano a nossa flexibilidade para qualquer eventual problema é praticamente nula, ou seja, nosso plano tem que dar certo”, afirmou. Dentre os principais riscos citados pela Vale estão a não obtenção da licença de Serra Leste, em Carajás, e eventuais chuvas fortes provocadas pelo fenômeno climático La Niña.

Em apresentação divulgada nesta quinta, a companhia informa que nos próximos trimestres seus estoques operacionais deverão ficar estáveis ao nível de produção atual. Isso deve garantir mais flexibilidade nas vendas para captar oportunidades de mercado, afirma.

A estratégia de recomposição de estoques, após uma perda de 14 milhões de toneladas em 2019, levou a Vale a ter vendas em nível bem menor que a produção no trimestre de julho a setembro. Spinelli buscou reforçar o fim dessa diferença entre venda e produção daqui para a frente. De acordo com a companhia, após o último trimestre os estoques chegaram a 17 milhões de toneladas de minério, o que garante estabilidade nos próximos trimestres. 

A Vale destacou ainda o aumento de sua exposição à China pelo “efeito covid, na esteira da recuperação da demanda local no pós-pandemia. De janeiro a setembro deste ano, 66% das vendas de minério da Vale foram destinadas ao país asiático. Em 2017 esse porcentual era de 57%. Para garantir essa dinâmica de vendas, a Vale se valeu dos estoques operacionais.

O boom da demanda chinesa é positivo, mas significa um aumento no tempo médio para concluir a venda de minério. A companhia leva em média 45 dias para finalizar a operação. 

Na quarta-feira, 28, ao divulgar um lucro de US$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, a mineradora apontou um cenário positivo para 2021, com a previsão de estabilidade da produção de aço na China. No entanto, demonstrou preocupação com os impactos da segunda onda da covid-19, em especial na Europa, na recuperação econômica global.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.