Vale não negocia, por ora, qualquer aquisição--Agnelli

A Vale não iniciou até omomento qualquer negociação visando aquisições de empresas nosetor de mineração, apesar de estar avaliando de formapermanente oportunidades de compras, disse nesta quinta-feira opresidente-executivo da empresa, Roger Agnelli. Ele acrescentou que o setor passa por um momento de aumento"selvagem" dos custos de produção, o que tem exigido grandeesforço de gestão da companhia e que deve elevar em algunsbilhões de dólares o plano total de investimentos inicialmenteestimado em 59 bilhões de dólares. Agnelli dissociou a captação de 14 bilhões de dólares que aempresa pretende realizar até o final de julho de uma possívelcompra iminente, afirmando que o objetivo é deixar a empresafinanceiramente mais flexível para quando surgiremoportunidades. "Nós não vamos comprar nada, ninguém, estamos quietos, oque a gente quer agora é fazer a operação de aumento decapital, realizar nossos investimentos, que é um desafioenorme", afirmou Agnelli a jornalistas após palestra noencontro de conselheiros do fundo de pensão Previ, do Banco doBrasil. "Existem movimentos no próprio mercado financeiro deespeculação natural, cada um tenta valorizar ativos, oudesvalorizar ativos, esse é um jogo natural, o mercadofinanceiro começa a fazer suas suposições, algumas empresasprocuram valorizar os seus ativos, empresas começam a chamar aatenção para serem namoradas, mas isso não nos afeta emabsolutamente nada", acrescentou. A mineradora brasileira tem sido alvo de amplos comentáriosno mercado e na mídia sobre um possível movimento de aquisiçãode alguma empresa de grande porte no setor. Os comentários ganharam força após o anúncio da oferta deações, com várias empresas sendo apontadas como possíveisalvos. Antes das declarações de Agnelli, a Vale divulgou umcomunicado negando negociação com bancos para uma possívellinha de crédito. CUSTOS NAS ALTURAS Em Sauípe, Agnelli chamou a atenção para o fato dosprojetos de crescimento orgânico da companhia até 2012 exigireminvestimentos de 59 bilhões de dólares, em um momento em que oscustos estão subindo "de maneira selvagem" e a companhia faz umgrande esforço para conter essa inflação. "A gente tem feito uma ginástica para limitar a inflação decustos dos projetos em 25, 20 por cento. Se não tomarmoscuidado pode chegar a 40 por cento, vários projetos no mundoestão estourados em 50 por cento", informou, sem dar maisdetalhes. Para conter os custos, de acordo com Agnelli, a empresaestá usando todo o seu potencial de engenharia para simplificaros novos projetos (greenfield) e antecipar a entrada emoperação de projetos já em curso (brownfield). A exemplo de outros setores que produzem matérias-primasbásicas, como o de petróleo, a área de mineração no mundo estásob pressão de custos devido ao aumento geral de investimentosbuscando ampliação de produção para atender à crescentedemanda, principalmente de países emergentes. Tanto equipamentos como serviços têm subido bastante,acompanhando a alta dos produtos. Segundo o presidente da Vale, a flexibilidade financeira éfundamental para garantir conforto à empresa em relação a essesinvestimentos que "agora já devem estar em 62, 63 bilhões dedólares por conta dos custos", disse, referindo-se aoplanejamento inicial de 59 bilhões de dólares. Agnelli lembrou que a preocupação será sempre manter asaúde financeira da Vale e focar no crescimento orgânico dacompanhia, mas que é uma obrigação analisar todas asoportunidades que estão aparecendo em várias partes do mundo. "É só olhar o histórico, a clareza e a transparência daVale Quando a gente tem alguma coisa para anunciar a genteanuncia, quando a gente não tem nada para anunciar, nãoanuncia", frisou, lembrando que os ativos de mineração no mundointeiro estão "muito caros".

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