Vale nega teor político em participar de Belo Monte

O diretor de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, negou hoje que a decisão da companhia de entrar no projeto para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), tenha como pano de fundo questões políticas. "Pelo lado que for analisado, estamos tranquilos em dizer que essa é uma decisão econômica, que não tem nenhum aspecto político envolvido", disse o executivo, ao lembrar que a Vale já estuda participar do projeto há mais de um ano e meio. Martins argumenta que a mineradora chegou até a participar do leilão de Belo Monte pelo consórcio perdedor.

MÔNICA CIARELLI, Agencia Estado

28 de abril de 2011 | 20h23

O diretor conta que, com as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Grupo Bertin, a Vale teve a oportunidade de voltar a analisar o projeto e decidiu participar. Além disso, enfatizou, a entrada em Belo Monte vai ao encontro da estratégia da companhia de ampliar investimentos em autogeração de energia. "Nossa entrada no setor não é nova, não é recente. É só olhar os históricos: temos quase 10 usinas hidrelétricas em que participamos", afirmou. Além disso, "o projeto também permite que a companhia limpe sua matriz energética e oferece uma rentabilidade dentro dos limites estabelecidos pelos nossos acionistas", disse.

Martins informou que a mineradora irá capitalizar o consórcio Norte Energia, responsável pelo projeto de Belo Monte, com US$ 400 milhões a US$ 500 milhões. Além desses recursos, a mineradora irá participar dos financiamentos necessários à viabilização do projeto. A expectativa é de que 75% do investimento serão financiados.

Martins estima que o orçamento de Belo Monte fique em R$ 25,8 bilhões. Desse total, caberia à mineradora a cifra de R$ 2,3 bilhões, valor que inclui a capitalização e os financiamentos necessários. A Vale anunciou hoje a decisão de comprar até 9% da fatia da Gaia Energia, do Grupo Bertin, no capital da Norte Energia. Por essa fatia, Martins revela que a companhia pagou menos de R$ 5 milhões, valor referente a despesas feitas pela Gaia.

Com a entrada em Belo Monte anunciada hoje, a Vale irá elevar dos atuais 45% para 63% a geração de energia da mineradora para consumo próprio. Segundo do diretor executivo de Finanças da empresa, Guilherme Cavalcanti, a compra da participação no consórcio que irá construir a usina vai baratear os custos da empresa com compra de energia.

Isto porque, pondera, a energia adquirida em projetos próprios é sempre mais barata do que a comprada no mercado livre ou em contratos longos fechados com distribuidoras de energia. Para o executivo, a operação vai ao encontro da estratégia de garantir um suprimento de energia para os projetos de expansão da companhia e também limpar sua matriz energética.

Tudo o que sabemos sobre:
energiahidrelétricaBelo MonteVale

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.