Vale negocia ativos de carvão em Moçambique

Companhia afirmou ontem que mantém conversas com um 'potencial investidor' para vender fatia em mina, ferrovia e porto no país africano

FERNANDA GUIMARÃES, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2014 | 02h05

A Vale afirmou ontem que negocia com "um potencial investidor" uma parcela de seu projeto de carvão em Moçambique, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em resposta a notícias publicadas recentemente.

Na quinta-feira, o jornal japonês Nikkei afirmou que a mineradora brasileira venderá participação em uma mina de carvão que fica na região de Moatize, no noroeste de Moçambique, para a trading de commodities japonesa Mitsui & Co. Segundo a reportagem, a companhia também contará com o envolvimento da Mitsui no desenvolvimento do Porto de Nacala, que fica no nordeste do país, e da ferrovia que conecta os dois locais.

De acordo com o jornal, o investimento inicial da empresa japonesa ficará em cerca de 150 bilhões de ienes (US$ 1,24 bilhão), incluindo 70 bilhões de ienes a 90 bilhões de ienes para comprar as fatias nos projetos. O resto do dinheiro irá para expansão dos projetos e para o aumento da produção de carvão.

Atualmente, a Vale detém participações superiores a 90% nos projetos e venderá parte disso para permitir que a Mitsui tenha entre 15% e 25%.

Em evento ontem para investidores em Londres, executivos da Vale disseram que a companhia não poderia fazer mais comentários, e que faria uma atualização sobre o assunto em 17 de dezembro. A Mitsui não se pronunciou sobre o assunto.

Moatize, uma das maiores minas de carvão metalúrgico do mundo, foi vista como um trunfo da Vale em sua carteira de ativos. Mas não tem sido fácil encontrar um comprador. Os preços do carvão têm caído nos últimos três anos, já que a demanda não acompanhou o ritmo do aumento da produção. No mês passado, os contratos futuros de carvão na Europa caíram para US$ 69,60 por tonelada, o nível mais baixo desde 2007.

Desinvestimentos. A operação de venda em Moçambique faz parte do programa de desinvestimento da Vale. A empresa quer se desfazer de algumas operações no Brasil e em outros países, e se concentrar naquilo que realmente sabe fazer e tem diferenciais, principalmente o minério de ferro.

Segundo o diretor-executivo de Finanças da mineradora, Luciano Siani, a Vale ainda possui um extenso leque de possíveis desinvestimentos, sendo que alguns poderão ocorrer já no próximo ano. Entre os ativos estão, por exemplo, operações da área de fertilizantes, assim como uma eventual abertura de capital da divisão de metais básicos da companhia e a venda de 15 supercargueiros da companhia (o Valemax). Segundo o executivo, a companhia não precisa necessariamente ser dona dos navios, já que o importante para a mineradora é ter acesso à maior competitividade com esses navios chegando até os clientes.

Siani destacou que esses desinvestimentos podem levantar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões e destacou que além desse movimento a companhia também está seguindo com seu trabalho de controle de custos e otimização de recursos.

Dividendos. Siani, disse ainda que a Vale não aumentará a alavancagem para o pagamento de dividendos. O executivo destacou que os dividendos mínimos para 2015 serão anunciados em janeiro, mas que poderá haver dividendos adicionais à medida que houve aumento do fluxo de caixa. A preocupação em torno dos dividendos deve-se à preocupação de que a Vale terá dificuldade em gerar fluxo de caixa forte, diante da derrocada dos preços do minério de ferro no mercado à vista chinês.

Vale considera fechar mina de Corumbá. 

Em evento a investidores em Londres, a Vale afirmou que está considerando o fechamento de sua mina de minério de ferro do Sistema Corumbá, em Mato Grosso do Sul, uma vez que o preço da matéria-prima do aço continua atingindo as menores cotações dos últimos cinco anos. "Sempre há uma dúvida sobre Corumbá, que é o nosso pequeno sistema, no oeste do país", afirmou Peter Poppinga, diretor da divisão de ferrosos da companhia.

Nos nove primeiros meses deste ano, Corumbá produziu 2,7 milhões de toneladas, uma parcela pequena perto do total da Vale. Poppinga acrescentou que parar o sistema de uma só vez não é simples. Então "preferimos esperar um pouco mais para ver onde o preço está indo." A cotação do minério caiu quase à metade este ano. Ontem fechou a US$ 70,90 por tonelada.

Sobre a baixa contábil de US$ 500 milhões realizada pela Vale referente à mina de Simandou, na Guiné, o consultor geral da mineradora, Clóvis Torres, afirmou que a empresa utilizará de todos os esforços possíveis para recuperar o valor investido. Neste ano, o governo da Guiné cassou a concessão da Vale para explorar as jazidas de minério no país./COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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