Vale passa a Petrobrás e fecha 2010 como a maior exportadora do País

Com preços cada vez mais elevados do minério de ferro e uma demanda maior no mercado mundial, mineradora conseguiu elevar em 122% a arrecadação com exportações no ano passado, e retoma uma posição que não alcançava desde 1998

Chiara Quintão e André Magnabosco, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

A Vale, maior empresa de minério de ferro do mundo, alcançou em 2010 o posto de principal exportadora brasileira, desbancando a Petrobrás, líder desde 2002. Segundo dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as vendas externas da Vale somaram US$ 24 bilhões - 32% acima dos US$ 18,2 bilhões da Petrobrás.

Com um crescimento de 122,07% em relação a 2009, a Vale respondeu por 11,91% do total das exportações brasileiras e reassumiu um posto que não ocupava desde 1998. As exportações da Vale ficaram acima até do superávit comercial do Brasil, que no ano passado foi de US$ 20,278 bilhões.

A Petrobrás respondeu por 9,01% das exportações. Em seguida no ranking vêm a Bunge Alimentos (2,13%, com US$ 4,3 bilhões), a Embraer (2,06%, US$ 4,1 bilhões) e a Samarco (1,59%, com US$ 3,2 bilhões ).

A expectativa é que a condição de líder entre as exportadoras se repita em 2011, segundo o diretor executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins. "Temos também exportação indireta por meio da Samarco, da qual possuímos 50%. Se incluirmos essa participação, os números ficam ainda mais expressivos", afirma.

O desempenho das exportações da Vale é resultado principalmente dos preços elevados do minério de ferro num momento de oferta restrita da commodity em relação à demanda. A Petrobrás, por sua vez, reduziu exportações de derivados de petróleo em 2010, para garantir o abastecimento do mercado interno.

A recuperação dos volumes embarcados de minério em relação a 2009 também foi fundamental para que a Vale obtivesse esse desempenho. Dados preliminares apontam que a mineradora exportou 20% a mais na comparação de 2009 com 2010.

A entrada em vigor do novo modelo de reajuste de preços, em abril de 2010, permitiu que as mineradoras passassem a se beneficiar, trimestralmente, das altas cotações da matéria-prima no mercado à vista (spot) chinês. O cálculo do reajuste, no novo sistema, considera a média dos preços no mercado à vista, levando em conta também prêmios de qualidade e frete.

Precificação. O aperto entre oferta e demanda de minério tem levado a sucessivas altas das cotações da matéria-prima no mercado à vista chinês. Ontem, os preços da commodity fecharam a US$ 182,01 por tonelada na China, valor que não era registrado desde abril.

Já há previsões de que o recorde histórico de US$ 200 por tonelada será superado. Martins diz que o sistema de reajustes trimestrais reduziu conflitos nas negociações de preços. O modelo, para ele, atende aos interesses de produtores e clientes, num cenário de grande volatilidade de preços.

A mudança da estratégia da mineradora em relação aos fretes também contribuiu para a obtenção de preços mais elevados. Após a crise, a companhia passou a atuar de maneira mais ativa em relação às entregas, contratando fretes e comprando ou mandando construir navios.

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